Pastores dos alpes peruanos revivem tecnologias antigas para enfrentar o futuro

Por Thin Lei Win

ROMA (Thomson Reuters Foundation) - Com suas pastagens alpinas diminuindo por conta das chuvas irregulares e diminuição das geleiras, pastores dos Andes centrais do Peru decidiram que seus futuros dependem de reviver o passado.

Para melhorar o acesso a água e salvar o gado, comunidades indígenas nos vilarejos de Canchayllo e Miraflores restauraram represas, reservatórios e canais abandonados com mais de 3 mil anos.

Dois anos após a conclusão do projeto --apoiado pelo The Mountain Institute (TMI), uma organização não governamental sediada nos Estados Unidos-- há mais pastos, e de melhor qualidade, para ovelhas, bovinos e alpacas, e a produção de leite, de carne e os rendimentos de culturas aumentaram.

O sucesso do projeto, beneficiando 9.600 pessoas na Reserva Paisagística Nor Yauyos Cochas, aumentou esperanças para milhares de comunidades no Peru e outros países que enfrentam pressões climáticas similares, disse Florencia Zapata, da TMI, que trabalha com comunidades de montanhas.

O projeto também pode ter impactos de grande alcance ao longo da costa, lar de quase 70 por cento da população, mas que recebe menos de 2 por cento da água disponível do Peru.

“A água que a maior parte da nossa população depende vem principalmente das montanhas. Então, nós precisamos cuidar desta água”, disse Zapata, que supervisiona o projeto, à Thomson Reuters Foundation em entrevista por telefone.

As faixas ocidentais dos Andes “marrons” --com uma característica temporada seca-- são pontilhadas com restos de infraestruturas antigas dedicadas ao gerenciamento de água, disse Jorge Recharte, diretor do programa da TMI para os Andes.

As faixas se estendem para Bolívia, Chile e Argentina e, embora algumas estruturas de água ainda estejam em uso, conhecimento e entendimento delas começaram a desaparecer, conforme as populações diminuíram por conta da migração para as cidades, disse Recharte.

As geleiras do Peru são uma fonte de água fresca para milhões de pessoas, mas diminuíram em 40 por cento desde a década de 1970, segundo números do governo.

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