Às vésperas de viagem, papa ordena que Vaticano assuma controle de grupo católico no Peru

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco ordenou que o Vaticano assuma o controle de uma sociedade católica de elite no Peru, cujo fundador é acusado de abusar sexual e fisicamente de crianças e ex-membros do grupo.

A decisão, anunciada pelo Vaticano na quarta-feira, é o mais recente movimento de uma saga que tem prejudicado a reputação da Igreja Católica no Peru e ocorre uma semana antes de Francisco realizar sua primeira visita como papa ao país e ao Chile.

Vítimas de abuso sexual dizem que Francisco não tem feito o bastante para pôr fim a isso. A credibilidade de uma comissão que ele formou em 2014 foi gravemente prejudicada pelas defecções de membros que acusaram o Vaticano de morosidade.

O Vaticano disse que o papa nomeou um administrador para comandar a Sodalitium Christianae Vitae (SCV), cujo fundador Luis Figari, um leigo, deve ser julgado no Peru pelo abuso sexual de menores no final deste ano. Figari negou as acusações.

Um relatório interno do grupo no ano passado concluiu que Figari, que fundou o grupo em 1971 e o liderou até 2010, e outros três ex-membros de alto escalão abusaram de 19 menores e de 10 adultos.

A maioria dos casos ocorreu entre os anos 1970 e 2000.

Um comunicado no site do grupo elogia a intervenção do papa e prometeu uma cooperação plena com o novo administrador. "Mais uma vez reafirmamos a nossa absoluta obediência ao Santo Padre e à Santa Mãe Igreja", afirmou.

O relatório interno de 2017 descreve Figari como um líder carismático, autoritário e um líder de estilo de culto à personalidade que humilhou publicamente membros como parte de sua estratégia para controlá-los.

As autoridades peruanas abriram uma investigação sobre Figari em 2015, na sequência da publicação de um livro pelos jornalistas investigativos peruanos Pao Ugaz e Pedro Salinas sobre sobre o suposto abuso.

Salinas pertenceu ao ultraconservador Sodalitium, cujos membros incluem empresários, escritores e políticos da classe alta do Peru e que foi fundado como parte de uma reação contra a chamada "Teologia da Libertação", que tomou o lado dos pobres.

O comunicado do Vaticano afirma que o papa vinha acompanhando a situação do grupo "com preocupação" há anos e tomou a decisão "após uma análise detalhada de toda a documentação".

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