Fiéis argentinos viajam ao Chile conforme papa evita volta para casa

Por Caroline Stauffer e Antonio De la Jara

BUENOS AIRES/SANTIAGO (Reuters) - Dezenas de milhares de argentinos irão viajar ao Chile na próxima semana para ver o papa Francisco, que nasceu em Buenos Aires e ainda não voltou ao país, apesar de ter visitado diversos locais da América Latina desde sua nomeação, há quase cinco anos.

Cerca de 40 mil jovens argentinos estão seguindo para uma das três cidades chilenas que o papa irá visitar, disse Mariano Garcia, de 36 anos e coordenador nacional do ministério jovem da Argentina.

    “A visita é muito importante para toda a juventude da Argentina”, disse Garcia. “Francisco é um dos grandes líderes, não só para jovens dentro da Igreja Católica, mas para todos os jovens.”

    O primeiro papa nascido na América Latina fez sua primeira viagem como pontífice ao Brasil, quatro meses depois de sua escolha, em 13 de março de 2013. Ele desde então visitou Bolívia, Equador, Paraguai, México, Cuba e Colômbia, e viaja ao Peru e depois para o Chile.

    Mas --possivelmente cauteloso sobre se envolver na política frequentemente volátil da Argentina-- ele ainda não agendou uma visita ao seu país-natal, que é a terceira maior economia da América Latina e quarto maior país em população.

Perguntado nesta quinta-feira sobre o porquê do papa ainda não ter visitado a Argentina, o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, disse somente que o papa irá voar sobre a Argentina em sua ida ao Chile e irá enviar uma habitual mensagem de seu avião ao chefe de Estado. “Deve ser um telegrama interessante”, disse Burke.

O papa, nascido Jorge Mario Bergoglio, se encontrou com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, no Vaticano. Mas como um duro crítico ao capitalismo global, alguns questionam a afinidade do papa em relação a Macri, membro de uma das famílias mais ricas da Argentina.

    Francisco está claramente desaprovando governos que não atacam a exclusão social e possuem “visões econômicas conservadoras”, disse Daniel Menendez, coordenador do grupo de organização comunitária Barrios de Pié, sediado em Buenos Aires, e um dos cerca de 500 ativistas planejando viajar à cidade patagônica de Temuco, a 100 quilômetros da Argentina.

    Macri disse esperar que sua Presidência seja julgada sobre a habilidade de seu governo de diminuir a taxa de pobreza da Argentina.

    O papa não é tampouco aliado da oposição. Como arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio teve uma relação difícil com a ex-presidente de esquerda Cristina Kirchner, atualmente senadora, assim como com seu falecido marido e antecessor, Néstor Kirchner.

    Kirchner evitou Bergoglio ao se esquivar de uma tradicional missa na catedral de Buenos Aires para marcar um importante aniversário nacional e frequentemente dirigiu duras palavras ao clero.

    (Reportagem adicional de Philip Pullella, na Cidade do Vaticano)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES

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