Diplomata dos EUA irá trabalhar por libertação de repórteres da Reuters em Mianmar

(Reuters) - O ex-governador do Novo México Bill Richardson disse na segunda-feira que irá trabalhar para garantir a libertação de dois jornalistas da Reuters presos em Mianmar como membro de um painel consultivo internacional sobre a crise no país asiático.

Richardson disse ter sido escolhido pela líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi, para ocupar uma vaga da comissão de 10 membros que irá aconselhar sobre como implementar recomendações de uma comissão anterior comandada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan em relação à situação no Estado de Rakhine, em Mianmar.

Richardson disse à Reuters que irá viajar a Mianmar na próxima semana, junto ao presidente do painel consultivo, Surakiart Sathirathai, ex-ministro das Relações Exteriores da Tailândia, que também pediu a libertação dos jornalistas. Ele disse estar buscando um encontro com o Ministro do Interior de Mianmar.

“Meu objetivo, junto ao presidente da comissão, é libertá-los enquanto nós estivermos em Mianmar”, disse Richardson em entrevista por telefone.

Zaw Htay, porta-voz do governo de Mianmar, não estava imediatamente disponível para comentários. Um porta-voz do Ministério do Interior de Mianmar disse não estar ciente de qualquer nomeação de Richardson.

De acordo com estimativas da ONU, cerca de 655 mil muçulmanos rohingyas fugiram de uma intensa repressão militar contra militantes em Rakhine. Os jornalistas da Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, estavam relatando a crise.

Os repórteres foram presos em 12 de dezembro após serem convidados para se encontrar com policiais em um jantar. Familiares disseram que os dois contaram que foram presos quase imediatamente após receberem alguns documentos dos policiais que tinham ido encontrar.

Richardson, de 70 anos, foi embaixador dos Estados Unidos na ONU e secretário da Energia no governo do presidente Bill Clinton.

Em 1995, Richardson negociou com o então presidente iraquiano, Saddam Hussein, para assegurar a libertação de dois norte-americanos detidos após se afastarem ao longo da fronteira com o Kuweit, e frequentemente agia como intermediário com a Coreia do Norte.

Procuradores de Mianmar denunciaram na semana passada Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27, sob a Lei de Segredos Oficiais, que possui pena de prisão de até 14 anos, disse o advogado dos repórteres.

Autoridades governamentais de alguns países, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá, assim como autoridades sêniores da ONU, pediram a libertação dos repórteres.

“Uma das principais recomendações (de Annan) é a libertação dos jornalistas para observar e relatar a situação”, disse Richardson. “Prender estes dois indivíduos por possivelmente 14 anos não é um bom começo”.

(Reportagem de David Alire Garcia e Frank Jack Daniel)

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