Governo da Argentina congela salários e reduz cargos como parte de esforço de austeridade

Por Hugh Bronstein e Nicolás Misculin

BUENOS AIRES (Reuters) - Os funcionários do Poder Executivo da Argentina não terão aumento de salário neste ano, e um de cada quatro "cargos políticos" indicados por ministros será eliminado, anunciou o presidente Mauricio Macri nesta segunda-feira, aprofundando seu esforço de austeridade.

O corte de indicações políticas, inclusive de assessores nomeados por ministros de governo, é visto como um ataque ao apadrinhamento instaurado no país há décadas.

    As demissões, que devem economizar 77 milhões de dólares por ano, são um símbolo do empenho de Macri para reconquistar a confiança do mercado.

    "A austeridade tem que ser parte da política", disse Macri em um discurso televisionado.

    Ele passou os dois primeiros anos de sua gestão desmantelando os controles comerciais e monetários criados por sua antecessora, Cristina Kirchner, que ampliou o papel do governo na economia.

    Macri foi eleito em 2015 prometendo liberar os mercados e melhorar o clima para os negócios na Argentina.

    O presidente, que deve buscar a reeleição no ano que vem, criticou "a corrupção e o clientelismo" de governos anteriores. Entre as medidas anunciadas nesta segunda-feira está um impedimento para familiares de ministros em postos no governo.

    Macri obteve uma série de vitórias legislativas pró-negócios no final do ano passado após sua coalizão sair vencedora nas eleições de meio de mandato. Mas a aprovação de seu projeto de lei de reforma previdenciária no mês passado desencadeou protestos violentos e uma redução no índice de popularidade do presidente.

    "O governo quer fomentar a ideia de as autoridades com indicação política dividirem o fardo do ajuste fiscal. Também quer passar a mensagem de que esta gestão realmente é diferente de suas antecessoras", disse Ignacio Labaqui, analista da consultoria Medley Global Advisors.

    Pressionado pelas poderosas centrais sindicais, o governo cancelou uma sessão especial do Congresso planejada para fevereiro na qual debateria a proposta de reforma trabalhista de Macri.

    O projeto de lei inclui uma anistia a empresas que registrem funcionários que vinham sendo pagos irregularmente, e pretende reduzir os litígios de empregados e amenizar os impostos de seguridade social pagos pelos empregadores. Há tempos o setor privado vem pedindo mais flexibilidade nas regras trabalhistas.

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