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Ex-assessor da campanha de Trump se declara culpado em investigação sobre Rússia

23/02/2018 19h30

Por Sarah N. Lynch

WASHINGTON (Reuters) - Um ex-assessor de alto escalão da campanha presidencial de 2016 de Donald Trump, Rick Gates, se declarou culpado nesta sexta-feira por conspiração contra os Estados Unidos e por mentir a investigadores, e está cooperando com uma investigação federal sobre o papel da Rússia na eleição.

Gates, que foi vice-gerente de campanha de Trump, está sendo investigado pelo escritório do procurador especial Robert Mueller, que investiga suposto envolvimento russo na eleição norte-americana.

Ele vinha enfrentando décadas de prisão por acusações muito mais sérias, incluindo fraude bancária e conspiração para lavagem de dinheiro, mas sob as acusações que se declarou culpado enfrenta uma sentença máxima de aproximadamente seis anos.

Procuradores disseram que Gates pode receber uma redução em sua sentença com base na extensão de sua cooperação com a investigação de Mueller.

A declaração de culpa aumenta pressão sobre Paul Manafort, que foi gerente de campanha de Trump por cinco meses em 2016, para também buscar um acordo judicial. No entanto, Manafort disse em um comunicado emitido após a declaração de Gates que mantinha sua inocência.

Cooperação de Gates, e possivelmente de Manafort em um estágio posterior, pode fornecer uma rica fonte de informações para Mueller, cuja investigação sobre a Rússia inclui análises sobre se a campanha de Trump conspirou com Moscou para interferir na eleição.

O acordo de Gates aparentou ter sido motivado por sua preocupação por custos legais e tensões sobre sua família. As diretrizes de sentenças para as acusações que ele se declarou culpado indicam uma sentença prisional de entre 57 a 71 meses.

Nenhuma das acusações até agora contra Gates ou Manafort fizeram referência a qualquer conexão com envolvimento russo na eleição de 2016 ou possível conluio. A Rússia negou as acusações de interferência. Trump disse que não houve conluio, e também negou qualquer tentativa de obstruir a investigação de Mueller.

Mueller, nomeado pelo Departamento de Justiça no ano passado, possui ampla informação, que permite que analise qualquer ato irregular descoberto durante o curso de sua investigação.

Embora não seja claro o que Gates pode ser capaz de revelar a investigadores, ele era parte da equipe de campanha de Trump quando seu então chefe Manafort participou de um encontro em junho de 2016 na Trump Tower, em Nova York, junto a assessores seniores da campanha e uma advogada russa.

Mueller, de acordo com fontes familiares à investigação, tomou grande interesse sobre se e-mails do Partido Democrata supostamente hackeados pela inteligência russa e divulgados seis dias depois do encontro foram discutidos durante a reunião.

Mueller também está interessado em relatos divergentes sobre o encontro na Trump Tower, incluindo um que foi escrito a bordo do avião de Trump com assistência de Trump, disseram as fontes.

Gates ajudava a comandar as operações rotineiras da campanha, desempenhando um papel fundamental na Convenção Nacional Republicana, na qual Trump foi escolhido como candidato do partido e acompanhava Trump em voos da campanha.

Ele permaneceu na campanha até mesmo depois de Manafort renunciar, em agosto de 2016, em meio a uma controvérsia sobre pagamentos da Ucrânia. Após a vitória eleitoral de Trump em novembro de 2016, Gates esteve na equipe de transição presidencial de Trump e em seu comitê inaugural.

Gates e Manafort foram acusados pela primeira vez em outubro, e, na quinta-feira, Mueller aumentou pressão sobre a dupla – apresentando uma acusação de 32 irregularidades contra eles, que inclui acusações de fraude bancária e mentiras em declarações fiscais.

Procuradores alegam que Manafort, com assistência de Gates, lavou mais de 30 milhões de dólares e enganou bancos para realizar empréstimos. A acusação diz que a dupla usou fundos de contas secretas offshore para desfrutar de uma vida de luxo.

(Reportagem de Sarah N. Lynch; Reportagem adicional de John Walcott, Doina Chiacu e Karen Freifeld)