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Nigéria negocia com Boko Haram sobre possível cessar-fogo, diz governo

25/03/2018 14h58

Por Felix Onuah

ABUJA (Reuters) - O governo da Nigéria está mantendo negociações com o grupo militante islâmico Boko Haram sobre um possível cessar-fogo, com o objetivo final de garantir a cessação permanente das hostilidades, disse o ministro da Informação, Lai Mohammed, no domingo.

É a primeira vez em anos que o governo revela estar negociando um cessar-fogo com o Boko Haram, que matou dezenas de milhares de pessoas e devastou o nordeste de um país que tem a maior economia da África.

O governo do presidente Muhammadu Buhari, no entanto, disse repetidamente que está disposto a manter as conversas com o grupo.

O Boko Haram iniciou suas ações em 2009, com o objetivo de criar um Estado islâmico. A campanha se espalhou para os países vizinhos da Nigéria, como Chade, Camarões e Níger, mas foi severamente enfraquecida nos últimos anos devido à pressão militar regional e perdeu a maior parte do território que já deteve.

Mais de 2 milhões de pessoas foram deslocadas e o grupo sequestrou outras milhares, incluindo cerca de 270 meninas de uma escola em Chibok, no Estado de Borno, em 2014. O sequestro em massa provocou indignação global e uma campanha para trazer as meninas de volta.

Mohammed fez a declaração em um email à Reuters descrevendo o histórico da libertação pelo grupo de mais de 100 alunas na semana passada após o sequestro em 19 de fevereiro da cidade de Dapchi, no nordeste do país.

Foi o maior sequestro em massa desde Chibok. Combatentes do Boko Haram chocaram os moradores de Dapchi na quarta-feira quando entraram na cidade e libertaram as meninas. Segundo elas, cinco meninas do grupo morreram em cativeiro e uma não foi libertada.

"Sem o conhecimento de muitos, estamos em negociações de cessação de hostilidades com os insurgentes há algum tempo", disse Mohammed. "Conseguimos conversas mais amplas quando as meninas de Dapchi foram sequestradas."

"O objetivo final é a cessação permanente das hostilidades", disse ele posteriormente à Reuters por telefone.

Mohammed afirmou que um cessar-fogo de uma semana, a partir de 19 de março, foi aceito para permitir que o grupo entregasse as meninas. Mohammed disse que 111 meninas foram tiradas da escola - uma a mais do que se pensava anteriormente - e seis estão desaparecidas.

A segurança é uma questão em debate diante das eleições em fevereiro do próximo ano. Buhari, um ex-governante militar de 75 anos, visitou nas últimas semanas áreas atingidas por problemas de segurança, mas não disse se buscará a reeleição.

(Reportagem adicional de Alexis Akwagyiram)