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Ativista sul-africana contra o apartheid Winnie Mandela morre aos 81 anos

02/04/2018 18h51

Por Dinky Mkhize

SOWETO, África do Sul (Reuters) - Winnie Madikizela-Mandela, que emergiu como uma combativa militante antiapartheid durante as décadas em que seu marido, Nelson Mandela, ficou na prisão, mas cuja reputação foi mais tarde manchada por acusações de violência, morreu nesta segunda-feira aos 81 anos.

Madikizela-Mandela morreu pacificamente cercada por sua família após uma longa doença que a mantinha dentro e fora do hospital desde o início do ano, disse o porta-voz da família, Victor Dlamini, em comunicado.

    “Winnie Mandela deixa um grande legado e, como nós dizemos na cultura africana, uma árvore gigante caiu”, disse o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, após visitar a casa de Madikizela-Mandela em Soweto, onde estava cercado por pessoas cantando e prestando homenagens.

    “Ela tem sido uma das mulheres mais fortes em nossa luta, que sofreu imensamente sob o regime do apartheid, que foi presa, que foi banida, que foi tratada muito mal”, afirmou ele.

    Um serviço memorial oficial será realizado para Madikizela-Mandela em 11 de abril e um funeral nacional será feito em 14 de abril, disse Ramaphosa, que declarou mais cedo que sul-africanos haviam perdido “uma mãe, uma avó, uma amiga, uma companheira, uma líder e um ícone”.

    Um grupo de cerca de 200 pessoas se juntou do lado de fora da casa de Madikizela-Mandela em Soweto após a morte ser anunciada, cantando e dançando.

    Ministros e figuras nacionais prestaram homenagens, incluindo o clérigo aposentado sul-africano e militante antiapartheid Desmond Tutu, que disse: “O desafio corajoso dela foi profundamente inspirador para mim, e para gerações de ativistas”.

    

MILITANTE INCANSÁVEL

Nascida em 26 de setembro de 1936 em Bizana, na província do Cabo Oriental, Madikizela-Mandela se tornou politizada ainda jovem em seu trabalho como assistente social de um hospital.

    Aos 22 anos, Winnie chamou a atenção de Mandela em um ponto de ônibus de Soweto em 1957, dando início a um romance que levou ao casamento, um ano depois.

    Após Nelson Mandela ser sentenciado à prisão perpétua em 1964 por sabotagem e conspiração para derrubar o governo, Madikizela-Mandela protestou incansavelmente por sua libertação e emergiu como uma proeminente figura antiapartheid por mérito próprio, passando por detenção, banimento e prisão.

    Ela socou o ar na saudação de punhos cerrados do movimento black power conforme andava ao lado de Mandela para fora da prisão Victor Verster, próxima à Cidade do Cabo, em 11 de fevereiro de 1990.

    Para marido e mulher, foi um momento de coroação que levou, quatro anos depois, ao fim de séculos de dominação branca quando Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul.

    Mas o casamento começou a desmoronar anos após a libertação de Mandela. O casal se divorciou em 1996, quase quatro décadas após o casamento. Eles tiveram dois filhos juntos.

    O fim do apartheid marcou o começo de uma série de problemas legais e políticos para Madikizela-Mandela.

    Conforme evidências surgiram nos últimos anos do apartheid sobre a brutalidade de seus agentes de Soweto, o “Mandela United Football Club”, o apelido de Madikizela-Mandela foi trocado de “mãe” da nação para “vândala”.

    Culpada pela morte do ativista Stompie Seipei, que foi encontrado próximo à casa de Madikizela-Mandela com a garganta cortada, ela foi condenada em 1991 por sequestrar e agredir Seipei, de 14 anos, porque ele era suspeito de ser um informante. A sentença prisional de seis anos foi reduzida para fiança após recurso.

(Reportagem de Tanisha Heiberg e Joe Brock)