Trump declara programa para imigrantes como "morto" e pede a Congresso que aja sobre fronteira

Por Richard Cowan e Makini Brice

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira como "morto" um programa que protege imigrantes levados aos EUA ilegalmente como crianças e pressionou o Congresso para que aprove "imediatamente" uma legislação para proteger a fronteira com o México.

Trump, que adotou uma linha dura contra imigração, disse em setembro que encerraria o Ação Adiada para a Chegada de Crianças (Daca na sigla em inglês), um programa introduzido pelo seu antecessor, o democrata Barack Obama, mas deu ao Congresso controlado por republicanos até 6 de março para substituí-lo.

O Congresso não conseguiu atender a esse prazo, mas os tribunais determinaram que o programa pode continuar em vigor por ora.

"O Daca está morto porque os democratas não ligaram ou agiram, e agora todo mundo quer entrar para o bonde do Daca", disse o presidente republicano pelo Twitter.

Autoridades de alto escalão disseram a repórteres que a legislação estava sendo preparada com o objetivo de ajudar a acelerar algumas deportações de imigrantes no país ilegalmente. Elas não forneceram um cronograma para submeter ao Congresso.

Democratas culparam Trump pelo status fraco do programa que protegeu centenas de milhares de imigrantes, frequentemente chamados de "sonhadores", da deportação e deu a eles vistos de trabalho.

"O Congresso precisa aprovar imediatamente a legislação de fronteira, usar a 'opção nuclear' se necessário, para deter o influxo em massa de drogas e pessoas... aja agora, Congresso, nosso país está sendo roubado!", disse Trump em outro tuíte.

A opção nuclear é um procedimento parlamentar que, na prática, permite ao Senado decidir uma questão por maioria simples.

O Congresso não pode aprovar nenhuma lei no momento, uma vez que os parlamentares estão na segunda semana de um recesso de primavera, mas assumir uma postura rígida sobre imigração apela à base conservadora de Trump

Trump reiterou seu pedido para que o México impeça as pessoas de entrarem nos EUA, dizendo que as "leis de fronteira (mexicanas) funcionam".

Um de seus tuítes aparentemente se referiu a um grupo de 1.500 homens, mulheres e crianças de Honduras, Guatemala e El Salvador que estão viajando em uma assim chamada "caravana de refugiados" organizada pelo Povo Sem Fronteiras, um grupo de defesa da imigração com sede nos EUA.

Uma das principais promessas de campanha de Trump foi construir um muro na fronteira sul dos EUA e insistir para que o México pague por ele -- o que o governo mexicano se recusa a fazer.

Trump disse estar aberto a negociar com democratas do Congresso para receber fundos para o muro em troca de proteção para imigrantes jovens que entraram no país como crianças, os chamados "Dreamers" (sonhadores).

O ex-presidente Obama lançou o programa em 2012. Trump o cancelou em outubro, mas tribunais determinaram que por ora ele pode continuar em vigor.

Os EUA também estão envolvidos na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) com o México e o Canadá.

A porta-voz da Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentário enviado por email.

Apesar das concessões de Trump aos parlamentares democratas no tema da imigração, nenhum acordo ainda foi firmado. O Senado, que é controlado pelos republicanos, estudou várias propostas ligadas ao tema em fevereiro, mas rejeitou todas.

Nos primeiros meses da gestão Trump, o número de pessoas que cruzaram a fronteira ilegalmente e foram apreendidas recuou, mas a partir de abril de 2017 aumentou e ultrapassou o do governo Obama.

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