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Sindicatos de ferroviários franceses confrontam Macron com onda de greves

03/04/2018 10h25

Por Leigh Thomas

PARIS (Reuters) - Os serviços de trens da França mergulharam no caos nesta terça-feira, o primeiro dia de uma onda de greves de âmbito nacional que devem durar meses e o teste mais duro para a determinação do presidente francês, Emmanuel Macron, de modernizar a economia do país.

Só um de cada quatro trens estava circulando na região de Paris, disse a estatal ferroviária SNCF, enquanto as pessoas voltavam do fim de semana prolongado da Páscoa, levando a mídia francesa a apelidar o dia de "Terça-feira Negra".

As plataformas da Gare du Nord, a estação de trens mais movimentada da capital, ficaram tão cheias que algumas pessoas caíram nos trilhos e tiveram que receber ajuda para voltar, mostraram imagens de televisão.

"Entendo porque eles estão em greve", disse Marie Charles, usuária do transporte intermunicipal de Paris. "Mas hoje é meu primeiro dia no novo emprego, então tenho que admitir que teria dispensado essa greve."

As quatro principais centrais sindicais planejam parar durante dois de cada cinco dias nos próximos três meses – um total de 36 dias de paralisação – para combater uma reforma da SNCF antes de o monopólio ser encerrado em respeito às leis da União Europeia.

O último presidente francês a enfrentar os sindicatos de ferroviários devido aos benefícios da categoria se saiu mal. As greves de 1995 paralisaram o país e forçaram o então primeiro-ministro Alain Juppé a desistir das reformas – uma derrota que acabou levando o chanceler a renunciar e o presidente Jacques Chirac a dissolver o governo.

Mas as centrais sindicais parecem mais fracas agora, e divididas quanto às suas reações às muitas reformas sociais e econômicas de Macron.

Se Macron triunfar – e este é de longe o maior desafio que o ex-banqueiro de 40 anos enfrentou até o momento –, a vitória dará o tom de outras mudanças em estudo, como a reformulação do sistema educacional e das aposentadorias. Macron já confrontou os sindicatos para amenizar a legislação trabalhista.

A ministra dos Transportes, Elisabeth Borne, pediu às centrais sindicais que negociem, dizendo à BFM TV em uma entrevista concedida nesta terça-feira que "algumas delas estão claramente tentando transformar isto em uma questão política".

"O governo continuará firme", afirmou.

Em uma batalha pelo apoio popular, os líderes sindicais, que também logo foram à mídia, reagiram.

"Os ferroviários não estão fazendo isso por diversão", disse Philippe Martinez, líder da central sindical linha-dura CGT, a maior da categoria.