Negociar com Israel seria um "erro imperdoável", diz aiatolá Khamenei

BEIRUTE (Reuters) - Qualquer gesto de negociação com Israel seria um "erro imperdoável", disse o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, nesta quarta-feira depois que o príncipe da coroa da Arábia Saudita disse que os israelenses têm direito de viver pacificamente em sua própria terra.

A Arábia Saudita, berço do islamismo e sede de seus santuários sagrados, não reconhece Israel oficialmente, mas os comentários de Mohammed bin Salman, citados pela revista norte-americana The Atlantic, foram um sinal adicional de um aparente relaxamento nos laços bilaterais.

    Os comentários coincidem com um momento em que o reino majoritariamente sunita se choca com o Irã xiita em uma disputa de poder regional. Teerã e Riad apoiam lados opostos nos conflitos do Iêmen e da Síria, além de grupos políticos rivais no Iraque e no Líbano.

    "Uma movimentação rumo à negociação com o regime traidor, mentiroso e opressivo (de Israel) é um erro grande, imperdoável que pressionará para trás a vitória do povo da Palestina", disse Khamenei em um comunicado publicado em seu site oficial.

    O comunicado, que não mencionou explicitamente a Arábia Saudita, disse ser uma tarefa de todos os muçulmanos apoiar os movimentos de resistência palestinos, e prometeu manter o apoio iraniano ao grupo islâmico palestino Hamas.

    Depois das colocações do príncipe da coroa, seu pai, o rei Salman, reiterou o endosso saudita a um Estado palestino.

    Riad vem argumentando há tempos que a normalização dos laços com Israel está condicionada pela retirada israelense das terras capturadas na Guerra dos Seis Dias de 1967 --territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado.

    Mas a Arábia Saudita abriu seu espaço aéreo para um voo comercial de Israel pela primeira vez no mês passado, o que uma autoridade israelense louvou dizendo se tratar de um acontecimento histórico depois de dois anos de esforços.

    Em novembro, um membro do gabinete de Israel revelou contatos sigilosos com a Arábia Saudita, um reconhecimento raro de tratativas secretas a respeito das quais se especula há tempos, mas que Riad ainda nega.

    (Por Babak Dehgnanpisheh)

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