Proposta da Rússia para investigação conjunta sobre envenenamento de espião na Inglaterra fracassa

Por Anthony Deutsch

HAIA (Reuters) - Um pedido da Rússia para que uma investigação conjunta fosse realizada sobre o envenenamento de um ex-agente duplo russo na Inglaterra fracassou nesta quarta-feira, quando foi vencido por 15 votos a 6 em um encontro do órgão monitor global de armas químicas.

A Rússia havia convocado um encontro de emergência do conselho executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) para conter acusações feitas pelo Reino Unido de que estaria por trás do envenenamento com agente nervoso em 4 de março de Sergei Skripal e sua filha em Salisbury, na Inglaterra.

    As acusações britânicas de envolvimento russo, fortemente negadas por Moscou, provocaram expulsões em massa de diplomatas de aliados do Reino Unido no Ocidente, incluindo os Estados Unidos, e ação retaliatória similar da Rússia.

Quando o encontro foi convocado nesta quarta-feira, a Rússia propôs uma investigação conjunta sobre o envenenamento, já que não foi convidada para participar de uma investigação independente que está sendo realizada pela Opaq a pedido do Reino Unido. Os resultados da investigação devem ser divulgados na próxima semana.

    O Reino Unido chamou a proposta russa para uma investigação conjunta de uma tentativa “perversa” para fugir da culpa pelo envenenamento dos Skripal, e parte de uma campanha de desinformação montada por Moscou.

    A proposta da Rússia no final gerou apoio de China, Azerbaijão, Sudão, Argélia e Irã, disse uma fonte à Reuters, com os EUA e membros europeus votando contra o plano. Houve 17 abstenções entre membros do conselho de 41 membros da organização. Somente 38 destes membros estavam presentes e habilitados a votar nesta quarta-feira.

    O embaixador da Rússia para a Opaq, Aleksander Shulgin, confirmou que a votação havia sido perdida.

RÚSSIA CONVOCA CONSELHO DE SEGURANÇA

Separadamente nesta quarta-feira, a Rússia solicitou um encontro público do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas em 5 de abril para discutir as acusações britânicas contra Moscou, disse o embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, elogiou a derrota russa em Haia.

“A Rússia teve um objetivo em mente desde as tentativas de homicídio em solo britânico através do uso de uma arma química de grau militar: obscurecer a verdade e confundir o público”, disse em comunicado.

    “A comunidade internacional mais uma vez enxergou através destas táticas e derrotou robustamente as tentativas da Rússia hoje de tentar descarrilar o processo internacional devido”.

    O encontro a portas fechadas da Opaq em si gerou disputas verbais acentuadas entre o Reino Unido e representantes da Rússia.

Em publicação no Twitter, a delegação britânica chamou a ideia de Moscou de uma investigação conjunta de “uma tática diversionista, e ainda mais desinformação projetada para evitar as perguntas que autoridades russas devem responder”.

    John Foggo, enviado britânico em exercício, disse que afirmações russas de que o ataque pode ter sido realizado pelo Reino Unido, pelos Estados Unidos ou pela Suécia são “afirmações vergonhosas e absurdas”.

    Shulgin, em entrevista coletiva, disse que a votação mostrou que mais da metade dos membros da Opaq havia “se recusado a se associar com o ponto de vista do Ocidente” – se referindo aos membros que votaram a favor da proposta russa ou se abstiveram.

    Ele repetiu que a Rússia não teve nada a ver com o ataque contra os Skripal, que ele disse parecer “um ataque terrorista”.

(Reportagem adicional de Toby Sterling, em Amsterdã, e William Schomberg, em Londres)

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