Gleisi diz que Lula está em endereço público e que aliados ficarão com ele

Por Tatiana Ramil

SÃO BERNARDO DO CAMPO (Reuters) - A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse nesta sexta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanecerá no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mesmo com o fim do prazo dado pelo juiz Sérgio Moro para que ele se entregue à Polícia Federal, e que na manhã de sábado será realizada uma missa no sindicato em homenagem à esposa falecida de Lula, Marisa Letícia.

"Lula está aqui no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, um lugar público, que muitas pessoas sabem onde ele está. Aliás, o mundo sabe onde ele está, vocês estão acompanhando. E aqui ele permanecerá junto com a militância", disse Gleisi a jornalistas.

"Somado a isso, o presidente Lula também aguarda manifestação do Supremo Tribunal Federal de recurso que já foi impetrado, assim também como da comissão de Direitos Humanos junto às Nações Unidas. Portanto esses recursos podem ter o resultado, podem ser deferidos, a qualquer momento."

Terminou às 17h desta sexta o prazo dado pelo juiz Sérgio Moro para que Lula se apresentasse à Polícia Federal para começar a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso sobre o tríplex no Guarujá.

Fontes com conhecimento do assunto disseram à Reuters que o petista negociava sua apresentação com a Polícia Federal, mas Gleisi sinalizou que ele pretende ficar no local ao menos até a manhã de sábado.

"Amanhã Dona Marisa Letícia faria 67 anos. É o primeiro aniversário de Dona Marisa em que Lula, que a família não estará com ela, que Lula não passará com ela. Nós teremos uma missa amanhã de manhã, às 9h30, aqui no sindicato, a pedido do Partido dos Trabalhadores, para fazer uma homenagem a Dona Marisa. Eu queria fazer esse comunicado para a imprensa, para que isso ficasse claro", afirmou aos jornalistas.

Maria Letícia, no entanto, faleceu em fevereiro do ano passado, de modo que o de amanhã não será o primeiro aniversário após sua morte. E, também diferentemente do que disse Gleisi, a ex-primeira-dama faria 68 anos nesta sábado, e não 67.

Pouco depois, a senadora discursou em um carro de som em frente ao sindicato e disse que a militância permanecerá no local ao lado de Lula.

"Nós estamos em um endereço público... é aqui que o presidente Lula está e é aqui que ficaremos", disse ela em discurso em cima de um carro de som em frente ao sindicato.

Ela negou que Lula esteja descumprindo uma decisão judicial de Moro. A senadora disse que o magistrado deu ao ex-presidente a opção de se entregar e que Lula optou por não exercer essa opção.

O petista lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República na eleição de outubro, mas deve ficar impedido de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa, que torna inelegível condenados em órgãos colegiados do Judiciário.

Lula foi condenado por ter recebido o tríplex da empreiteira OAS como pagamento de propina em troca de contratos na Petrobras PETR4.SA. Ele nega ser dono do imóvel, assim como quaisquer irregularidades.

O petista, que é réu em outros seis processos, afirma ser alvo de uma perseguição política promovida por setores do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal com o objetivo de impedi-lo de ser candidato.

(Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo

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