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"Vocês se arrependerão", diz Rússia ao Reino Unido em reunião sobre ataque químico

06/04/2018 11h01

Por Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A Rússia disse ao Reino Unido no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na quinta-feira que "vocês estão brincando com fogo e se arrependerão" devido às acusações de que Moscou é culpada pelo envenenamento de um ex-espião russo e sua filha.

Foi a segunda confrontação entre os dois países no organismo desde o ataque com agente nervoso contra Sergei e Yulia Skripal em uma cidade inglesa em 4 de março. A Rússia, que convocou a reunião de quinta-feira, nega qualquer envolvimento.

O ataque teve grandes ramificações diplomáticas, levando a expulsões em massa de diplomatas russos e ocidentais. O conselho de 15 membros se reuniu para debater a questão pela primeira vez em 14 de março a pedido do Reino Unido.

"Dissemos a nossos colegas britânicos que 'vocês estão brincando com fogo e se arrependerão'", afirmou o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, durante um discurso de mais de 30 minutos que tentou desqualificar as alegações britânicas contra Moscou.

Ele argumentou que qualquer pessoa que assista seriados policiais, como o britânico "Midsomer Murders", conheceria "centenas de maneiras inteligentes de matar alguém" para ilustrar a natureza "arriscada e perigosa" do método que Londres diz ter sido usado para atingir Skripal.

A polícia britânica acredita que um agente nervoso foi deixado na porta da frente da casa de Salisbury onde Skripal morava desde que foi libertado graças a uma troca de espiões --ele foi um coronel da inteligência militar que denunciou dezenas de agentes russos ao serviço de espionagem britânico MI6.

"Acreditamos que as ações do Reino Unido suportam qualquer escrutínio", disse a embaixadora britânica na ONU, Karen Pierce, ao Conselho de Segurança.

"Não temos nada a esconder... mas de fato temo que a Rússia pode ter algo a temer."

Na quarta-feira, a Rússia pediu uma investigação conjunta sobre o envenenamento dos Skripal à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), mas perdeu uma votação da medida.

"Acolher cientistas russos em uma investigação na qual eles são os perpetradores mais prováveis do crime em Salisbury seria como a Scotland Yard convidar o professor Moriarty", disse Karen aos repórteres na manhã de quinta-feira, citando o arqui-inimigo do detetive fictício Sherlock Holmes.