Indicado a secretário de Estado dos EUA promete adotar linha-dura com Rússia e "consertar" acordo com Irã

Por Patricia Zengerle e Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - O indicado a secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, prometeu nesta quinta-feira que está disposto a romper com o presidente Donald Trump caso necessário, dizendo que irá adotar uma linha-dura com a Rússia e que deseja “consertar” o acordo nuclear iraniano.

Pompeo, que é atualmente diretor da CIA, culpou o “mau comportamento da Rússia” por tensões entre Moscou e Washington e disse que irá apoiar mais sanções norte-americanas contra a Rússia.

“(O presidente da Rússia) Vladimir Putin ainda não recebeu a mensagem suficientemente”, disse Pompeo ao Comitê de Relações Exteriores do Senado durante uma relativamente tranquila audiência de confirmação, que teve cinco horas de duração.

    Ele disse que o avanço da Rússia à Ucrânia e outros países precisa ser contido. “Nós precisamos empurrar de volta em cada lugar e em cada vetor”, disse Pompeo. “Nós precisamos garantir que Vladimir Putin não seja bem-sucedido no que ele acredita ser seu objetivo final”.

Críticos, incluindo alguns dentro do próprio Partido Republicano de Trump, acusaram o presidente de adotar uma postura muito branda em relação ao presidente russo. Trump negou isto – e tem sido fortemente crítico nos últimos dias ao apoio de Moscou ao presidente sírio, Bashar al-Assad – mas também falou sobre desejar relações melhores com Putin.

    Trump indicou Pompeo para se tornar o diplomata mais sênior do país em 13 de março, após demitir Rex Tillerson. Tillerson, um ex-chefe-executivo da Exxon Mobil, teve um relacionamento turbulento com Trump em pouco mais de um ano no cargo.

    

ELOGIO DEMOCRATA

Embora Pompeo tenha enfrentado perguntas mordazes de democratas – incluindo sobre sua contínua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e suas associações com organizações antimuçulmanos – ele também foi elogiado. O senador democrata Ben Cardin elogiou as respostas concisas de Pompeo. O senador Chris Coons disse estar “confiante” que Pompeo será um forte defensor para diplomatas.

Pompeo provavelmente irá precisar de apoio democrata para ser aprovado pelo comitê porque um membro republicano, o senador Rand Paul, anunciou sua oposição. Regras do Senado permitem uma votação no plenário do Senado mesmo que o painel não aprove a indicação, mas isto nunca aconteceu com um secretário de Estado.

    Como deputado republicano, Pompeo foi um forte adversário ao acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais feito sob o presidente democrata Barack Obama, que suspendeu sanções contra o Irã em troca de contenções no programa nuclear de Teerã.

Trump fez um ultimato que Reino Unido, França e Alemanha devem aceitar “consertar as terríveis falhas do acordo nuclear do Irã” ou irá se recusar a estender o alívio de sanções no prazo final de 12 de maio.

    Pompeo disse ser a favor de um “conserto” e acreditar que o Irã não está “correndo” para desenvolver uma arma nuclear antes de o acordo ser finalizado, e que não espera que irá fazer isto caso o acordo desmorone.

    O secretário de Defesa, Jim Mattis, disse em audiência congressional separada nesta quinta-feira que também acredita que o acordo deve ser consertado e que o governo está trabalhando com aliados para ajustar suas falhas.

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