Gleisi reafirma candidatura de Lula após encontrar ex-presidente ao lado de Wagner

(Reuters) - A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), reafirmou nesta quinta-feira a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto após visitá-lo na Polícia Federal, em Curitiba, ao lado do ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que nesta semana chegou a sugerir que o PT indicasse o vice na chapa de Ciro Gomes (PDT).

"De novo quero reafirmar aqui para vocês o que o Jaques já reafirmou. Dia 15 de agosto nós estamos registrando o Lula como candidato a presidente do Brasil", disse Gleisi a simpatizantes de Lula que estão acampados nos arredores da PF na capital paranaense.

Lula está preso há quase um mês para cumprir pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso sobre o tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. Como a condenação já ocorreu em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência, deve ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

Gleisi disse, no entanto, que o presidente ainda detém seus direitos políticos e que o partido pretende discutir a lei após registrar sua candidatura. Ela reiterou ainda que Lula é inocente.

"O Lula não está com seus direitos políticos suspensos, isso é importante dizer", garantiu.

"Ele está constitucionalmente com seus direitos políticos em pleno gozo, ele pode ser inscrito. E aí depois nós vamos discutir essa tal de Ficha Limpa, porque o Lula é ficha limpa, não é ficha suja não, ele é inocente, e está injustamente nesta cadeia, nesta prisão", afirmou ao lado de Wagner.

Lula nega ser dono do tríplex, assim como quaisquer irregularidades. Ele afirma ser alvo de uma perseguição política promovida por setores da imprensa, do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal para impedi-lo de ser candidato.

Mais cedo, Wagner usou uma postagem no Twitter para defender a união da esquerda e afirmar que no momento atual o que o Brasil menos precisa é de divisão no campo progressista.

“Defende que caminhemos unidos porque assim teremos muito mais condições de derrotar as forças do atraso e de ensinar à direita e à extrema-direita que um país melhor só pode ser alcançado com ideias, propostas e argumentos, não com ódio e violência”, disse o ex-governador no Twitter.

“O que o país menos precisa neste momento tão conturbado, de escalada da intolerância, é de mais divisões, principalmente no campo progressista e popular”, defendeu.

O ex-governador da Bahia chegou a defender publicamente um apoio a Ciro, mesmo que seja favorável à estratégia do partido de por ora não admitir outra candidatura que não a de Lula.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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