Iraquianos vão às urnas enquanto premiê busca bater rivais apoiados pelo Irã

Por Maher Chmaytelli e Raya Jalabi

BAGDÁ/MOSUL, Iraque (Reuters) - Iraquianos votaram neste sábado pela primeira vez desde a derrota do Estado Islâmico, com o primeiro ministro Haider Abadi, aliado tanto dos Estados Unidos como do Irã, tentando afastar os poderosos grupos políticos xiitas que aproximariam o país de Teerã. 

Os iraquianos expressaram seu orgulho diante da quarta votação desde a queda do ditador Saddam Hussein, mas também afirmaram ter poucas esperanças de que a eleição possa estabilizar um país dominado por conflitos, dificuldades econômicas e corrupção. 

Repórteres da Reuters disseram que o comparecimento às urnas parecia baixo em vários postos de votação em Bagdá e em Fallujah, a oeste da capital, e em Basra, ao sul. 

Os vitoriosos no pleito terão de lidar com o resultado da decisão do presidente norte-americano Donald Trump de se retirar do acordo nuclear com o Irã, medida que é vista pelos iraquianos como passível de tornar seu país em um teatro de conflitos entre Washington e Teerã. 

Abadi, que chegou ao poder há quatro anos, depois que o Estado Islâmico dominou um terço do país, administra cuidadosamente a aliança do Iraque com os dois países. Os Estados Unidos disponibilizaram apoio militar ao Exército iraquiano para derrotar o Estado Islâmico, enquanto as milícias xiitas apoiadas pelo Irã lutaram do mesmo lado. 

Mas agora que a campanha militar terminou, Abadi enfrenta ameaças políticas de dois principais desafiantes: seu antecedente Nuri al-Maliki, e o líder do principal grupo paramilitar xiita, Hadi al-Amiri, ambos mais próximos do Irã do que ele. 

Os três principais grupos étnicos e religiosos --a maioria arábe xiita, a minoria sunita e os curdos-- se desentendem há décadas, com divisões sectárias profundas. 

O Irã tem grande influência no Iraque como a principal potência xiita na região. Os Estados Unidos, que invadiram o Iraque em 2003 para derrubar Saddam, ocuparam o país até 2011 e enviaram tropas de volta ao país para combater o Estado Islâmico em 2014, também possuem muita influência. 

A influência do Irã causa descontentamento entre os sunitas e também entre alguns xiitas, que se cansaram de líderes religiosos, partidos e milícias, e querem que o país seja governado por tecnocratas. 

Abadi é considerado favorito por analistas, mas a vitória está longe de ser certa. Um engenheiro educado no Reino Unido que se elegeu sem o auxílio de uma poderosa máquina política, Abadi solidificou seu governo com a vitória sobre o Estado Islâmico. No poder, ele buscou o apoio da minoria sunita, apesar de ter alienado os curdos, reprimindo sua busca por independência. 

Mas ele fracassou na missão de fortalecer a combalida economia do país, e não pode contar apenas com os votos de seus pares xiitas. Mesmo se a Alliança para a Vitória de Abadi conquistar a maioria das vagas no Parlamento, ele ainda precisará negociar a formação de um governo de coalizão, que deverá ser formado em até 90 dias após as eleições.

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