Trabalhadores da construção fecham maior acordo salarial do ano na Alemanha

Por Michael Nienaber

BERLIM (Reuters) - Sindicatos e empregadores alemães entraram em acordo para aprovarem uma alta de aproximadamente 6 por cento nos salários de mais de 800 mil trabalhadores de construção, o maior acordo salarial fechado neste ano na maior economia da Europa. 

Por anos, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) pedem que a Alemanha aumente a demanda doméstica aumentando salários e investimentos, como forma de reduzir o grande superávit comercial do país. 

O debate se aqueceu com a eleição do presidente norte-americano Donald Trump, que repetidamente critica a força das exportações alemãs, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron já pediu que Berlim se livre do "fetiche" do conservadorismo fiscal. 

O sindicato IG Bau disse que trabalhadores da construção civil no oeste da Alemanha receberiam um aumento de 5,7 por cento, enquanto no leste do país os salários subiriam 6,6 por cento. Ambas as medidas serão aplicadas retroativamente desde o último primeiro de maio e permanecerão por 26 meses. 

"Estas foram negociações duras, difíceis, que ficaram próximas de fracassar por várias vezes", disse Uwe Nostitz, da associação de indústrias ZDB. 

O acordo foi atingido após 19 horas de mediação pelo ex-ministro da Economia Wolfgang Clement. 

O acordo também inclui pagamentos para os trabalhadores no oeste da Alemanha de 250 euros em novembro de 2018, 600 euros em junho de 2019 e outros 250 euros em novembro de 2019. Trabalhadores no leste receberão um pagamento de 250 euros em novembro de 2019. 

Trabalhadores do setor de construção civil, incluindo aprendizes, também recebem um salário mensal adicional que pode variar de região para região. 

O sindicato de trabalhadores inicialmente demandou um aumento de 6 por cento por 12 meses enquanto empregadores inicialmente ofereceram 4,2 por cento por 22 meses e um pagamento adicional de 400 euros. 

O líder do IG BAU Robert Feiger disse estar satisfeito com o resultado. "Esse é o maior acordo salarial fechado neste ano", disse Feiger, acrescentando que o resultado garantia que os trabalhadores finalmente recebessem sua participação justa do boom econômico. 

A economia alemã passa por um período prolongadamente incomum de bonança, agora em seu nono ano, crescendo 2,2 por cento em 2017. Com o emprego em alta recorde, empresas de construção civil, especialmente, têm batalhado contra a escassez de trabalhadores.

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