Colômbia terá 2º turno em eleição presidencial, com acordo de paz em risco

Por Helen Murphy e Daniel Flynn

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia caminha para sua corrida presidencial mais polarizada em décadas, depois que o candidato de direita Iván Duque venceu o primeiro turno no domingo e provocou um segundo turno com o rival de esquerda Gustavo Petro, o que pode ameaçar um acordo de paz histórico ou desencaminhar reformas pró-mercado.

É a primeira vez na história moderna da Colômbia que um candidato abertamente de esquerda chega à segunda etapa de uma eleição presidencial, uma perspectiva que preocupou alguns investidores da quarta maior economia da América Latina.

Duque, ex-funcionário de 41 anos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, sediado em Washington, foi o vencedor da votação de domingo com 39 por cento dos votos, enquanto Petro, ex-prefeito de Bogotá, ficou com 25 por cento, resultado que se alinhou com as pesquisas de forma geral.

Mas a promessa de Duque de reformular o acordo de paz de 2016 com as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) acabando com a imunidade concedida aos combatentes condenados por crimes preocupa muitos colombianos, cansados das cinco décadas de um conflito que matou cerca de 200 mil pessoas.

Embora o presidente Juan Manuel Santos tenha recebido o Prêmio Nobel da Paz por alcançar o pacto, o acordo dividiu profundamente a nação de cerca de 50 milhões de habitantes. O acordo foi rejeitado por uma pequena margem em um referendo, mas o Congresso acabou por aprová-lo em uma versão modificada.

Petro, ele mesmo um ex-membro do hoje extinto grupo rebelde M-19, apoiou o acordo, assim como três outros candidatos derrotados, o que significa que Duque pode ter que moderar sua posição para atrair eleitores.

"Não queremos acabar com o acordo. Queremos deixar claro que uma Colômbia de paz é uma Colômbia na qual a paz se encontra com a justiça", disse Duque a apoiadores animados em um discurso de vitória no domingo, durante o qual cumprimentou o terceiro colocado Sergio Fajardo e disse que suas agendas sociais têm muito em comum.

Fajardo, porém, não declarou apoio a nenhum dos finalistas.

Especialistas em política da Colômbia disseram que, se o segundo turno do mês que vem seguir pautas ideológicas, os votos da centro-esquerda podem bastar para Petro ameaçar seriamente Duque, se o candidato de esquerda conseguir rejeitar as acusações de radicalismo do adversário.

"Petro ficou atrás de Duque muito claramente na votação, então isso tranquilizará os mercados", disse Camilo Perez, chefe de estudos econômicos do Banco de Bogotá.

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