China promete proteger interesses de ameaças comerciais "levianas" dos EUA

Por Michael Martina e Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - A China reagiu com força a novas ameaças comerciais da Casa Branca nesta quarta-feira, alertando que está pronta para reagir se Washington estiver buscando uma guerra comercial, dias antes de uma visita planejada do secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, a Pequim.

Mudando subitamente de tom, os EUA disseram na terça-feira que ainda mantêm a ameaça de impor tarifas sobre 50 bilhões de dólares em importações da China a menos que o governo chinês trate da questão do roubo de propriedade intelectual norte-americana.

Washington ainda disse que levará adiante as restrições a investimentos de empresas chinesas nos EUA, além dos controles sobre as exportações de bens para China.

A postura mais dura surge no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, se prepara para uma cúpula no dia 12 de junho com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, cujo principal aliado diplomático é Pequim, e em que os EUA intensificam seus esforços para se contraporem ao que veem como um empenho chinês em limitar a liberdade de navegação no Mar do Sul da China.

A escalada comercial ocorre depois de os dois lados terem concordado, durante conversas realizadas em Washington neste mês, em encontrar maneiras para diminuir o superávit comercial de 375 bilhões de dólares da China. Ross deve tentar induzir os chineses a concordarem em comprar bens norte-americanos em quantidades expressivas durante a visita dos dias 2 a 4 de junho à capital chinesa.

"Exortamos os Estados Unidos a manterem sua promessa e encontrarem um meio-termo com a China no espírito do comunicado conjunto", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Hua Chunying em um boletim diário à imprensa, acrescentando que seu país adotará medidas "resolutas e vigorosas" para proteger seus interesses se Washington insistir em agir de uma maneira "arbitrária e leviana".

"Quando se trata de relações internacionais, cada vez que um país volta atrás e se contradiz, é mais um golpe, e um desperdício, em sua reputação", afirmou Hua.

Pequim disse que responderá à altura às ameaças de Trump de impor tarifas sobre até 150 bilhões de dólares de bens chineses.

Não ficou claro se os desdobramentos terão algum impacto na visita de Ross à China. A chancelaria chinesa encaminhou as perguntas ao Ministério do Comércio, que não respondeu a um fax pedindo comentários.

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