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EUA lutam contra bens produzidos com trabalho escravo para 'salvaguardar empregos americanos'

Mudança de tom do Departamento de Trabalho ecoa a agenda de "América Primeiro" do presidente Donald Trump  - Leah Millis/Reuters
Mudança de tom do Departamento de Trabalho ecoa a agenda de "América Primeiro" do presidente Donald Trump Imagem: Leah Millis/Reuters

Sebastien Malo

Da Reuters, em Nova York

20/09/2018 20h38

Os Estados Unidos informaram nesta quinta-feira que estão impulsionando sua luta contra bens produzidos por escravos "para salvaguardar trabalhos americanos", sinalizando que o governo Trump classifica trabalho forçado como uma questão comercial, ao invés de uma questão de direitos humanos.

A nova abordagem foi revelada na lista bienal do Departamento de Estado de bens que o departamento possui "razão para acreditar" serem produzidos a partir de trabalho infantil ou forçado, que se tornou um crime a importação em 2016 sob lei introduzida pelo presidente Barack Obama.

"Trabalhadores americanos não podem competir com produtores no exterior que usam trabalho infantil ou trabalho forçado", disse o secretário de Trabalho dos EUA, Alexander Acosta, na introdução da lista de 148 bens produzidos em 76 países.

Se "um parceiro comercial" participar de trabalho infantil ou forçado, "os EUA irão fazer o que for necessário para proteger trabalhadores vulneráveis de exploração, salvaguardar empregos americanos e criar um campo de jogo justo para países que obedecem às regras", acrescentou.

Uma porta-voz do Departamento de Trabalho disse que o relatório representa uma contribuição essencial para proteger trabalhadores vulneráveis de exploração no mundo.

 "Trabalho infantil e trabalho forçado são práticas repugnantes que vão contra os valores americanos", disse Martha Newton, vice-sub-secretária do Escritório de Relações Trabalhistas Internacionais do Departamento de Trabalho, à Thomson Reuters Foundation em comentário por email.

Estima-se que 25 milhões de pessoas estejam presas em trabalho forçado mundialmente, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho e a instituição beneficente Walk Free Foundation.

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Mais de 400 bilhões de dólares em bens provavelmente feitos a partir de trabalho forçado entram no mercado norte-americano a cada ano, disse Annick Febrey, diretora de relações governamentais do Human Trafficking Institute, que advoga pelo fim da escravidão moderna.

Ela disse que a mudança de tom do Departamento de Trabalho ecoa a agenda de "América Primeiro" do presidente Donald Trump sobre questões comerciais internacionais e pode significar um esforço mais contínuo para bloquear a entrada no país de bens produzidos a partir de trabalho forçado.

"É um reflexo das políticas comerciais e foco do governo atual no América Primeiro", disse Febrey à Thomson Reuters Foundation.

Trump impôs taxas de importação sobre China, México, Canadá e a União Europeia, aumentando tensões comerciais conforme busca consertar o que vê como balanças comerciais injustas.

Eric Gottwald, diretor legal e político do Fórum Internacional de Direitos Trabalhistas, sediado em Washington, disse ter ficado em choque pelo destaque do Departamento de Trabalho em erradicar trabalho escravo porque coloca trabalhadores norte-americanos em desvantagem competitiva.