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Vitória da oposição nas Maldivas é revés potencial para a China

24/09/2018 10h05

Por Mohamed Junayd

MALÉ (Reuters) - O líder opositor das Maldivas, Ibrahim Mohamed Solih, venceu a eleição presidencial do arquipélago-nação do Oceano Índico nesta segunda-feira, um possível revés para a China, que investiu milhões de dólares em projetos do governo em fim de mandato.

O presidente Abdulla Yameen, que cultivou laços tanto com Pequim quanto com a Arábia Saudita, admitiu a derrota depois que a Comissão Eleitoral disse que Solih triunfou na votação de domingo.

As Maldivas, uma cadeia de ilhas ladeadas de palmeiras e atóis situada 523 quilômetros ao sudoeste do extremo sul da Índia, são conhecidas como um destino turístico de luxo. 

Mas a nação muçulmana de menos de meio milhão de habitantes sofreu uma transição turbulenta para a democracia após o fim de três décadas de governos autoritários em 2008.

"Este é um momento de alegria, um momento de esperança", disse Solih aos repórteres na capital Malé. "Esta é uma jornada que terminou nas urnas porque o povo assim quis."

A Índia e os Estados Unidos parabenizaram Solih, conhecido popularmente como "Ibu", por sua vitória antes mesmo da admissão de derrota de Yameen.

"Esta eleição marca não somente o triunfo das forças democráticas das Maldivas, mas também reflete o compromisso firme com os valores da democracia e do Estado de Direito", disse o Ministério de Relações Exteriores indiano em um comunicado.

"A Índia espera trabalhar estreitamente com as Maldivas para aprofundar ainda mais nossa parceria."

Tanto Nova Délhi quanto Washington estavam preocupadas com a influência crescente da China nas Maldivas e com a adoção de atitudes mais radicais em questões religiosas durante os cinco anos de Yameen no poder.

Pequim, por sua vez, ajudou a construir um prolongamento do aeroporto internacional das Maldivas e uma ponte que o liga à capital.

Antes da eleição a oposição disse que reverá o investimento chinês, em parte por causa da preocupação com o nível de endividamento que ele implica, e especialistas alertaram que o governo pode se tornar refém das dívidas.