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Problemas jurídicos de Netanyahu crescem com apresentação de novas acusações de suborno

02/12/2018 12h35

Por Maayan Lubell

JERUSALÉM (Reuters) - A polícia israelense disse neste domingo que encontrou evidências suficientes para apresentar acusações por suborno e fraude contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e sua esposa, no terceiro caso de corrupção contra o líder israelense.

Autoridades alegam que Netanyahu concedeu favores regulatórios à maior empresa de telecomunicações de Israel, Bezeq Telecom, em troca de mais cobertura positiva dele e de sua mulher no portal de notícias Walla, propriedade da companhia. Netanyahu nega qualquer irregularidade.

Se indiciado, o premiê de quatro mandatos enfrentará um dos maiores desafios à sua sobrevivência política. Apesar de seu domínio na política israelense, a mais nova recomendação da polícia ocorre logo após a maioria de sua coalizão de direita ser reduzida a apenas uma precária cadeira no Parlamento.

A decisão final se Netanyahu será indiciado ou não é do advogado-geral de Israel, que ainda avalia se acusará o premiê em outros dois casos.

Estes dois outros casos estão relacionados a alegações de que Netanyahu teria aceitado presentes de empresários e de que ele tentou fazer um acordo com um diferente veículo de mídia por melhor cobertura em troca de restrições a um jornal concorrente.

A maior parte dos parceiros de coalizão de Netanyahu disse que aguardará uma decisão do advogado-geral antes de tomar medidas sobre como reagir às alegações.

Alguns analistas disseram que Netanyahu poderá convocar uma eleição rápida em face dos procedimentos legais contra ele. A próxima eleição nacional não está prevista para antes de novembro de 2019. Mas o premiê pode querer buscar um mandato renovado pela população, forçando um promotor a pensar duas vezes antes de indiciá-lo.

Netanyahu disse que quer que sua coalizão permaneça até o fim de seu mandato, mas políticos próximos a ele dizem que, dada a frágil maioria simples da coalizão, uma eleição antecipada é provável.

Na declaração conjunta deste domingo com a Autoridade de Valores Mobiliários de Israel, a polícia disse que também encontrou evidência suficiente para acusar Shaul Elovitch, um amigo da família de Netanyahu, por suborno.

À época, Elovitch era presidente do conselho e acionista majoritário da Bezeq. As autoridades afirmam que também há evidência para indiciar a então presidente da companhia, Stella Handler, por fraude.

Elovitch e Handler negam as irregularidades. Ambos foram presos brevemente mais cedo neste ano e renunciaram de seus cargos na Bezeq.

No comunicado, as autoridades afirmaram: "A principal suspeita é de que o primeiro-ministro aceitou subornos e agiu em conflito de interesse ao intervir e tomar decisões regulatórias que favoreceram Shaul Elovitch e a Bezeq". Elas alegam que Netanyahu buscou interferir nos conteúdos do site Walla, da Bezeq, "de modo que o favoreceria".

Netanyahu foi ministro das Comunicações de 2015 a 2017.

A polícia também recomendou que acusações de fraude e quebra de confiança sejam colocadas contra Netanyahu e sua mulher.

Pouco depois que as recomendações da polícia foram tornadas públicas, Netanyahu emitiu uma nota dizendo que as alegações não possuem base legal e que no fim nada resultará da investigação.

"Eu estou certo de que também neste caso as autoridades relevantes, após examinar o assunto, chegarão à mesma conclusão - que não havia nada porque não há nada", disse ele.

(Reportagem adicional de Stephen Farell, Steven Scheer e Ari Rabinovitch)