PUBLICIDADE
Topo

Igreja tentará consertar "falhas sistemáticas" em conferência sobre abuso sexual

22/02/2019 11h51

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - A Igreja Católica precisa resolver as "falhas sistemáticas" que permitiram que os abusos sexuais se enraizassem em todo o mundo, e os bispos deveriam começar a policiar os comportamentos uns dos outros, disseram importantes cardeais nesta sexta-feira.

Os cardeais Blase Cupich, de Chicago, e Oswald Gracias, de Mumbai, se pronunciaram no segundo dia de uma conferência com cerca de 200 autoridades da Igreja convocada pelo papa Francisco para confrontar o que chamou de flagelo dos abusos sexuais cometidos pelo clero.

"Este último ano nos ensinou que as falhas sistemáticas ao se responsabilizar clérigos de todos os níveis se devem em grande medida a falhas na maneira como interagimos e nos comunicamos uns com os outros", disse Cupich.

Vários aspectos da crise de abusos sexuais fizeram de 2018 o pior ano para o papa desde sua eleição em 2013.

No Chile, todos os 34 bispos apresentaram sua renúncia devido a um escândalo nacional; a viagem de Francisco à Irlanda lançou uma nova luz sobre décadas de abusos na nação antes ardorosamente católica; e um relatório devastador de um grande júri da Pensilvânia revelou que padres abusaram sexualmente de cerca de mil pessoas ao longo de sete décadas só naquele Estado norte-americano.

Na semana passada, Theodore McCarrick, outrora um cardeal poderoso da Igreja dos Estados Unidos, foi afastado do sacerdócio porque o Vaticano o considerou culpado de abusar sexualmente de menores de idade e adultos durante décadas.

A Igreja tem que "confrontar os erros passados graves e impiedosos de alguns bispos e superiores religiosos no enfrentamento de casos de abusos sexuais do clero, e (ter) o discernimento para entender como estabelecer a justa responsabilização pelas grandes falhas", disse Cupich.

No início da conferência, na quinta-feira, cinco vítimas contaram histórias dolorosas de abuso e acobertamento, e o papa disse que elas podem contar com medidas concretas após o encontro.

Grupos de vítimas se queixaram de que, embora alguns padres que abusaram sexualmente de crianças tenham acabado sendo disciplinados pela Igreja e condenados pelas autoridades civis, os bispos que ou permitiram os abusos ou os acobertaram não foram punidos.