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Líder de Hong Kong aponta diálogo e "respeito mútuo" como saída do caos

20/08/2019 09h51

Por Noah Sin e Felix Tam

HONG KONG (Reuters) - A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse nesta terça-feira que espera que um protesto antigoverno pacífico do final de semana seja o início de esforços para restaurar a calma e que conversas com manifestantes avessos à violência proporcionem "uma saída" para a cidade sob controle chinês.

Centenas de milhares de manifestantes protestaram pacificamente sob uma chuva torrencial no domingo, assinalando a 11ª semana de manifestações muitas vezes violentas.

"Espero sinceramente que isso tenha sido o começo da sociedade voltando à paz e mantendo distância da violência", disse Carrie.

"Começaremos a trabalhar imediatamente para estabelecer uma plataforma para o diálogo. Este diálogo, espero, será baseado em compreensão e respeito mútuos e encontrará uma saída para a Hong Kong atual."

A revolta irrompeu em junho por culpa de um projeto de lei hoje suspenso que permitiria que suspeitos de crimes da ex-colônia britânica fossem extraditados para a China continental para serem julgados.

Os tumultos foram atiçados por temores mais abrangentes da erosão de liberdades garantidas pela fórmula "um país, dois sistemas" adotado desde a devolução de Hong Kong à China em 1997, que incluem um Judiciário independente e o direito de protestar.

Três pessoas ficaram feridas, uma delas gravemente, em um ataque com faca de um agressor desconhecido perto de um "Muro Lennon" de mensagens coloridas a favor dos protestos no distrito de Tseung Kwan dos Novos Territórios de madrugada, disse a polícia. Um homem foi preso.

Os protestos provocaram reações fortes de Pequim, que acusou países estrangeiros, inclusive os Estados Unidos, de fomentarem a revolta no território. A China também enviou um sinal claro de que uma intervenção vigorosa é possível, e forças paramilitares realizam exercícios na vizinha Shenzhen.

A secretaria de Relações Exteriores do Reino Unido disse estar extremamente preocupada com relatos de que um funcionário de Hong Kong foi detido na China continental, mas não surgiu nenhum indício imediato de uma ligação com os protestos.

Simon Cheng visitou a cidade chinesa vizinha de Shenzhen e não voltou ao trabalho no dia seguinte, 9 de agosto, noticiou o HK01, site de notícias de Hong Kong. A chancelaria da China não quis comentar, e a polícia de Hong Kong não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

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