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Êxodo venezuelano pode chegar a 5 milhões; países vizinhos sofrem pressão crescente

Venezuelanos na fronteira com o Brasil, em Roraima, em foto do ano passado - Reuters
Venezuelanos na fronteira com o Brasil, em Roraima, em foto do ano passado Imagem: Reuters

Por Stephanie Nebehay

Em Genebra

23/10/2019 12h54

O êxodo de venezuelanos está a caminho de chegar a 5 milhões de pessoas, e países vizinhos sentem crescer a pressão para lhes conceder amparo de longo prazo, disseram autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Europeia hoje.

Cerca de 4,5 milhões de refugiados e imigrantes fugiram da Venezuela desde 2015, segundo cifras oficiais, e mais venezuelanos estão recorrendo a pontos de travessia ilegais, disse Eduardo Stein, representante especial conjunto das agências de refugiados e de migração da ONU.

A crise se agravou desde que os Estados Unidos impuseram sanções, inclusive à crucial indústria petroleira da Venezuela, na tentativa de depor o presidente de esquerda Nicolás Maduro a favor do líder opositor Juan Guaidó. Dezenas de países reconhecem Guaidó como o presidente interino, argumentando que Maduro fraudou uma eleição de 2018.

Cerca de 5 mil pessoas deixam a Venezuela diariamente, mas o número flutua à medida que mais países exigem vistos, disse Stein.

"A experiência de outras crises no mundo nos mostra que aqueles que gostariam de voltar para a Venezuela se a crise, em termos políticos, fosse resolvida hoje, levará uns bons dois anos ou até mais", disse Stein em uma coletiva de imprensa.

Um plano de reação humanitária regional de 739 milhões de dólares da ONU para este ano deve quase dobrar para 2020, acrescentou.

A atitude inicialmente acolhedora com os venezuelanos em toda a América do Sul azedou em meio a acusações de que eles provocam crimes, tomam vagas no mercado de trabalho e sobrecarregam os serviços sociais.

A ONU e a UE realização uma reunião em Bruxelas nos dias 28 e 29 de outubro para conscientizar o mundo de suas necessidades. Doadores e autoridades do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento devem participar, mas nenhum representante da Venezuela deve comparecer.

"Esta é a crise de refugiados e imigrantes mais grave e que cresce mais rápido na história latino-americana, ao menos na história recente", disse Walter Stevens, embaixador da UE em Genebra. "Também há estimativas de que ela pode aumentar ainda mais se a situação não mudar, chegando rapidamente a 5 milhões".

A Colômbia é o principal destino dos imigrantes venezuelanos que fogem da crise de longa data, abrigando hoje cerca de 1,4 milhão deles.

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