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Chanceler brasileiro diz que não houve golpe na Bolívia; Brasil apoia pedido por reunião da OEA

3.set.2019 - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto de Araújo, durante debate sobre os 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul - José Cruz/Agência Brasil
3.set.2019 - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto de Araújo, durante debate sobre os 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Lisandra Paraguassu e Pedro Fonseca

11/11/2019 08h01Atualizada em 11/11/2019 12h28

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo brasileiro considera que a renúncia do presidente da Bolívia, Evo Morales, não representa um golpe, uma vez que uma "tentativa de fraude eleitoral maciça deslegitimou" o líder boliviano, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Morales renunciou ao cargo no domingo em meio a uma grave crise política deflagrada por acusações de fraude na eleição de outubro que o reconduziria ao poder.

Após a renúncia de Morales, o Brasil apoiou um pedido da Colômbia pela realização de uma reunião de emergência do conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a Bolívia, informou o Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira.

"Não há nenhum golpe na Bolívia. A tentativa de fraude eleitoral maciça deslegitimou Evo Morales, que teve a atitude correta de renunciar diante do clamor popular. Brasil apoiará transição democrática e constitucional. Narrativa de golpe só serve para incitar violência", disse o chanceler brasileiro em publicação no Twitter, no domingo.

De acordo com o Itamaraty, a posição do chanceler divulgada no Twitter, assim como postagem do presidente Jair Bolsonaro na mesma rede social contêm a posição do Brasil sobre a questão boliviana.

Em sua publicação, Bolsonaro disse que a renúncia de Morales traz como lição para o Brasil a necessidade do voto impresso para que as eleições possam ser auditadas.

"Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O voto impresso é sinal de clareza para o Brasil!", afirmou.

A renúncia de Morales, anunciada pela tevê, ocorreu horas depois de o líder convocar novas eleições, pressionado por um relatório da OEA, divulgado na madrugada de domingo, que indica ?irregularidades? nas eleições de outubro.

A convocação de nova eleição foi rejeitada pela oposição, que pediu a renúncia de Morales, assim como as Forças Armadas.

Morales, que assumiu o poder em 2006, ganhou as eleições em 20 de outubro, mas a contagem dos votos foi suspensa inexplicavelmente durante quase um dia, o que provocou acusações de fraude e deflagrou protestos da oposição, greves e bloqueios de estradas no país.

O Itamaraty também informou que não recebeu qualquer pedido de sobrevoo da parte de Morales, após relatos da mídia boliviana no fim de semana de que o governo brasileiro teria proibido Morales de sobrevoar o país.

(Por Lisandra Paraguassu e Pedro Fonseca)

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) escreveu no Twitter sobre a renúncia do boliviano Evo Morales, e não sobre sua própria renúncia (que não aconteceu). A informação foi corrigida.

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