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Novos protestos na Colômbia reúnem milhares de manifestantes após 3 mortes na 5ª-feira

Por Julia Symmes Cobb
Imagem: Por Julia Symmes Cobb

Julia Symmes Cobb

Da Reuters, em Bogotá (Colômbia)

22/11/2019 14h02

Resumo da notícia

  • País é palco de manifestações contra o presidente Iván Duque, em especial contra possíveis medidas econômicas
  • Mais de 250 mil pessoas protestaram na quinta-feira para expressar o crescente descontentamento com o governo
  • Novas manifestações foram convocadas hoje, ao mesmo tempo em que países da América do Sul também protestam

Por Julia Symmes Cobb

BOGOTÁ (Reuters) - Colombianos se reuniram nesta sexta-feira para novos protestos, que culminaram com registros de alguns saques em partes da capital Bogotá, após manifestações massivas terminarem com três mortes na quinta-feira.

Mais de 250 mil pessoas protestaram na quinta-feira para expressar o crescente descontentamento com o governo do presidente Iván Duque, incluindo com rumores de reformas econômicas e uma contínua raiva do que os manifestantes dizem ser a falta de ação do governo para impedir a corrupção e o assassinato de ativistas de direitos humanos.

Milhares se reuniram na tarde desta sexta-feira na Praça Bolívar, em Bogotá, após o ex-candidato presidencial de esquerda Gustavo Petro e outros convocarem uma nova manifestação na esteira de um "panelaço" espontâneo, ocorrido na noite anterior.

"Estamos aqui para continuar protestando contra o governo Duque", disse Katheryn Martinez, estudante de Artes de 25 anos, enquanto batia uma panela ao lado de seu pai Arturo, 55.

"É um governo ineficiente, que mata crianças e não reconhece", afirmou ela, referindo-se a um recente bombardeio contra rebeldes, que matou oito adolescentes e levou o ex-ministro da Defesa a renunciar.

A multidão, que incluiu idosos e suas famílias, foi dispersada de forma abrupta pela polícia, que disparou gás lacrimogênio e fez com que os manifestantes recuassem nas íngremes e estreitas ruas do centro histórico.

Alguns manifestantes se reagruparam em ruas próximas e continuaram protestando.

Enquanto isso, o prefeito de Bogotá, que mais cedo havia proibido as vendas de bebidas alcoólicas, anunciou um toque de recolher para as regiões de Bosa, Kennedy e Ciudad Bolívar, vigente a partir das 20h (horário local).

O protesto coincidiu com manifestações em outros países da América Latina, incluindo passeatas contra corte de investimento público no Chile, protestos contra alegações de fraude na eleição na Bolívia que levaram o presidente Evo Morales a renunciar, além de uma escalada nas tensões na crise da Nicarágua.

Os detalhes sobre as mortes, na província de Valle del Cauca, estão sob investigação, disse o ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, a jornalistas.

Ele disse que autoridades confirmaram as mortes de duas pessoas em Buenaventura e de uma outra em Candelaria, acrescentando que um grupo de pessoas tentou saquear o shopping Viva Buenaventura.

"Por causa desse ato violento, as forças de segurança agiram, sendo sujeitas a agressões violentas com o lançamento de pedras e paus. Como resultado do confronto entre vândalos e forças de segurança e em eventos que são objeto de investigação pelo escritório do procurador-geral, duas pessoas foram mortas".

Embora a grande maioria dos manifestantes tenha participado pacificamente, 98 pessoas foram presas, enquanto 122 civis e 151 membros das forças de segurança ficaram feridos, disse ele.

Trujillo acrescentou que as autoridades estavam conduzindo 11 investigações preliminares de conduta imprópria por membros das forças de segurança, depois que imagens circuladas nas mídias sociais mostraram policias tratando os manifestantes duramente, incluindo um oficial de choque chutando um manifestante na cara.

Usuários de transporte público em Bogotá e outras cidades colombianas enfrentaram longos atrasos nesta sexta-feira, uma vez que muitos dos terminais de ônibus da capital permaneceram fechados.

A polícia utilizou gás lacrimogênio em ao menos duas áreas da região sul da capital, de maioria de classe trabalhadora, em tentativas de acabar com obstruções das ruas. Diversos supermercados na área foram saqueados, enquanto alguns manifestantes atacaram um ônibus coletivo, de acordo com a imprensa local.

(Por Julia Symmes Cobb, com reportagem adicional de Nelson Bocanegra)