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Ibovespa perde fôlego antes de feriado, mas tem melhor semana desde 2016

09/04/2020 19h27

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, após superar 80 mil pontos na máxima da sessão, refletindo cautela e alguma realização de lucros diante de fim de semana prolongado e ambiente ainda volátil nos mercados. Ainda assim, acumulou ganho de 11,71% na semana, melhor desempenho semanal desde começo de março de 2016.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,2%, a 77.681,94 pontos, após subir 2,3% no melhor momento da sessão, quando chegou a acumular valorização de 15,66% na semana. O volume financeiro no pregão desta quinta-feira somou 25,16 bilhões de reais.

Apesar da percepção de alguns agentes de que o pior possa estar ficando para trás em termos de correção negativa na bolsa brasileira, a visão não é consenso. O que todos acordam é que a volatilidade seguirá elevada, assim como estão as incertezas.

Para o analista Ilan Arbertman, da Ativa Investimentos, há ainda uma disfuncionalidade muito forte nos mercados globais, que não mostra sinais de que irá arrefecer no curto prazo, o que reforça a cautela, principalmente antes de um feriadão.

"E quando falamos somente de Brasil, há ainda um risco político que está longe de ser desprezível", observou, acrescentando que ruídos nessa variável podem fazer a recuperação do país ser mais lenta do que em outros pares.

Nesta sessão, na visão de Arbertman, o gatilho para as vendas veio da frustração com o desfecho de uma reunião da Opep+, que havia gerado grande expectativa de acordo para um corte robusto na produção de petróleo, o que não aconteceu. "O acordo até veio, mas em menor potência que o possível."

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, incluindo a Rússia, um grupo conhecido como Opep+ ventilaram rumores de um corte de 15 milhões a 20 milhões de barris por dia (bpd), ou 15% a 20% do suprimento global.

No entanto, o ministro do petróleo do Irã disse que um corte de produção de 10 milhões de barris por dia é apenas para maio e junho de 2020. De julho até o final de 2020, haverá um corte de produção de 8 milhões de barris por dia e, a partir de janeiro de 2021, haverá um corte de 6 milhões.

Como resultado, o Brent, que chegou a subir 10,8%, fechou em queda de 4,14%, a 31,48 dólares o barril, com analistas avaliando que a redução prevista na produção não deve compensar o colapso na demanda em razão da pandemia do coronavírus.

Mais cedo, a alta encontrou suporte em notícias mais positivas da evolução do coronavírus na Espanha e Itália, além de novas medidas e declarações do banco central dos EUA de que não poupará esforços para ajudar a economia. Wall St conseguiu manter os ganhos, mas foi incapaz de segurar o Ibovespa.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN fechou em queda de 2,89%, após subir 7,9% na máxima da sessão, acompanhando o enfraquecimento dos preços do petróleo no exterior. PETROBRAS ON recuou 3,66%. Fontes afirmaram à Reuters que a Petrobras reduziu o fornecimento de combustíveis para distribuidoras brasileiras afetadas pela queda na demanda provocada pela pandemia de coronavírus.

- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,81%, em sessão marcada por novas medidas para o setor financeiro a fim de aliviar os efeitos econômicos da pandemia. BRADESCO PN cedeu 0,04% e BANCO DO BRASIL ON teve variação negativa de 0,27%. O BC afrouxou o requerimento de capital das operações de crédito destinadas a pequenas e médias empresas, numa investida com potencial de liberar cerca de 3,2 bilhões de reais no sistema para novos financiamentos.

- SUZANO ON recuou 6,74%, em destaque na ponta negativa, em sessão com queda de 1% do dólar ante o real. Mais cedo, o presidente-executivo da empresa, Walter Schalka, disse que fabricantes de papel na China estão operando à plena capacidade, e que a Suzano pretende reduzir investimentos previstos para este ano.

- ELETROBRAS ON subiu 5,29%, após medida provisória para viabilizar ações de apoio ao setor elétrico, o que tende a aliviar preocupações com eventual inadimplência, que poderia vir a afetar geradoras, como é o caso da elétrica de controle estatal.

- ECORODOVIAS ON avançou 5,63%, tendo de pano de fundo dados de tráfego de veículos, que a equipe do Bradesco BBI considerou estarem se estabilizando. CCR ON fechou em alta de 3,31%.