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Milhares de manifestantes se juntam em Washington para protesto contra violência policial

Por Nandita Bose e Lucas Jackson

06/06/2020 15h24

WASHINGTON (Reuters) - Manifestantes começaram a se juntar em Washington para um grande protesto neste sábado contra o assassinato de um homem negro por um policial branco, ocorrido no final do mês passado nos Estados Unidos.

George Floyd, de 46 anos, morreu em 25 de maio em Mineápolis, assassinado por um policial branco que não se importou em ficar nove minutos com o joelho em seu pescoço apesar de gritos de várias pessoas alertando que ele o estava matando. O crime causou protestos contra racismo e brutalidade policial que se espalharam pelo mundo.

Alguns ativistas pediram pelas redes sociais que 1 milhão de pessoas participem da manifestação na capital dos Estados Unidos.

"Temos muito público e informações para prever que o evento deste sábado pode se tornar um dos maiores que já tivemos na cidade", disse o chefe da polícia local, Peter Newsham. A imprensa local previu que dezenas de milhares de pessoas participarão.

Seis ônibus deixaram centenas de militares, a maioria com colete à prova de balas e escudos, perto da Casa Branca neste sábado, informou um fotógrafo da Reuters. Veículos militares foram estacionados nas ruas da cidade.

Na escadaria para o Lincoln Memorial, um pequeno grupo de manifestantes cantava enquanto mais pessoas chegavam. Garrafas de água e snacks gratuitos foram disponibilizados perto de uma igreja.

Delonno Carroll, um trabalhador da construção civil de 27 anos, afirmou que decidiu aderir ao protesto porque simplesmente "não consegue" ficar em casa assistindo a tudo. "Nossas vozes precisam ser ouvidas", disse. "Nunca mais queremos ver um homem clamando pela sua mãe nas ruas e tendo que passar pelo que George Floyd passou."

'Táticas extremas'

O vídeo da morte de Floyd, gravado por um transeunte, mostrou o homem implorando pela vida e dizendo aos policiais que não podia respirar, antes de emudecer e morrer asfixiado.

Um segundo memorial foi realizado neste sábado na Carolina do Norte, onde Floyd nasceu. Centenas de pessoas formaram fila em Raeford para relembrar o norte-americano em um culto público, e uma outra reunião, desta vez privada, será realizada para a família.

Milhares de pessoas foram às ruas da Europa, Austrália, Japão e Seul em apoio aos manifestantes nos EUA. Na sexta-feira, houve atos em Atlanta, Los Angeles, Mineápolis, Miami, Nova York e Denver, entre outros locais. As manifestações noturnas foram em sua maioria pacíficas, mas a tensão permanece alta mesmo com as autoridades tomando medidas em várias regiões da nação para rever as práticas policiais.

Um juiz federal de Denver ordenou que a polícia deixasse de usar gás lacrimogêneo, balas de plástico e outros artefatos como granadas de atordoamento. Sua decisão citou exemplos de manifestantes e jornalistas que foram feridos pela polícia.

"São manifestantes pacíficos, jornalistas e médicos que foram atingidos por táticas extremas para suprimir desordens, não protestos", disse o juiz R. Brooke Jackson em sua decisão.

Em Mineápolis, líderes democratas votaram pelo fim da tática de usar o joelho e chaves de pescoço como forma de imobilização. Já o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, disse que proibirá o treinamento de policiais para táticas de estrangulamento que bloqueiem a artéria carótida.

Em Nova York, o governador Andrew Cuomo afirmou que seu Estado aprovará reformas como a proibição de estrangulamentos, além de publicar todos os registros disciplinares policiais.

"O assassinato do Sr. Floyd foi um ponto de inflexão", disse Cuomo, que também é democrata. "As pessoas estão dizendo 'basta!".

Ativistas do Black Lives Matter pediram redução do orçamento das forças policiais. O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, um democrata que propôs em abril aumentar o dinheiro público destinado à polícia, mudou de lado e anunciou cortes de 150 milhões de dólares na instituição local.

Em Buffalo, dois policiais foram filmados empurrando um manifestante de 75 anos contra o chão. Ambos foram acusados de delito de segundo grau, mas se declararam inocentes com o apoio de centenas de colegas do lado de fora do tribunal. A vítima bateu a cabeça e as imagens a seguir mostraram uma poça de sangue se formando. Ele permanece internado em estado crítico.

(Reportagem de Nathan Layne, Sharon Bernstein, Dan Whitcomb, Matt Spetalnick, Raphael Satter, Keith Coffman, Rich McKay, Barbara Goldberg, Lucas Jackson, Linda So e Scott Malone)