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China promete retaliação se EUA tomar qualquer ação contra jornalistas do país

04/08/2020 10h11

Por Yew Lun Tian e Brenda Goh

PEQUIM/XANGAI (Reuters) - A China prometeu, nesta terça-feira, retaliar se os Estados Unidos persistirem em “ações hostis” contra jornalistas chineses que podem ser forçados a deixar os EUA nos próximos dias se seus vistos não forem renovados.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, disse a repórteres em uma entrevista coletiva diária que nenhum jornalista chinês nos EUA recebeu uma extensão de visto desde que o país, em 11 de maio, limitou a permanência deles a 90 dias, sem opção de prolongamento.

“Os EUA estão intensificando suas ações contra jornalistas chineses”, disse Wang a repórteres. “Os EUA precisam corrigir esse erro imediatamente e parar com essas ações.”

“Se os EUA persistirem, a China adotará uma resposta necessária e legítima para proteger seus direitos”, disse.

Wang não disse quantos jornalistas chineses foram afetados ou qual retaliação a China poderia considerar, mas o editor do jornal chinês Global Times afirmou anteriormente que jornalistas norte-americanos baseados em Hong Kong poderiam estar entre os alvos se jornalistas chineses forem forçados a deixar os EUA.

“O lado chinês se preparou para o pior cenário, se todos os jornalistas chineses tiverem que ir embora”, disse ele no Twitter.

“Se esse for o caso, o lado chinês retaliará, incluindo contra jornalistas americanos em Hong Kong."

O Global Times é publicado pelo Diário Popular, jornal oficial do Partido Comunista, que governa a China.

Os dois países, cujas relações deterioraram-se profundamente nos últimos tempos por várias questões, incluindo comércio e o novo coronavírus, trocaram ações envolvendo jornalistas nos últimos meses.

Os Estados Unidos, em março, cortaram o número de cidadãos chineses com permissão para trabalhar nos escritórios norte-americanos de grandes jornais estatais chineses de 160 para 100.

A China expulsou jornalistas norte-americanos trabalhando para três jornais dos EUA --New York Times, Wall Street Journal e Washington Post-- neste ano e ameaçou igualar qualquer ação norte-americana contra jornalistas chineses.

(Reportagem de Yew Lun Tian em Pequim e Brenda Goh em Xangai)