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Economia do Brasil cresce em junho, mas termina 2º tri com perda recorde de 10,94%, mostra BC

Camila Moreira

Da Reuters, em São Paulo

14/08/2020 09h17

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A pandemia de coronavírus levou a atividade econômica do Brasil a despencar um recorde de 10,94% no segundo trimestre sobre o trimestre anterior em meio às medidas de isolamento para conter a Covid-19, mostrou indicador do Banco Central nesta sexta-feira, mas o ritmo da atividade ganhou força no final do período, sob o impulso da reabertura gradual da economia e das medidas de auxílio do governo.

Em junho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), apontou alta de 4,9% na comparação com maio, no melhor resultado da série iniciada em janeiro de 2003, alavancado por uma baixa base de comparação.

A leitura também foi melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 4,70% na comparação mensal.

"Para frente, seguimos esperando recuperação sequencial da economia. Ao mesmo tempo, temos de monitorar os riscos para a atividade relacionados à pandemia, a uma deterioração nas expectativas por conta da situação fiscal bem como em torno da retirada de suporte dos programas de governo", alertou o estrategista-chefe do banco digital modalmais, Felipe Sichel.

O recuo recorde no segundo trimestre soma-se à contração de 1,97% vista no primeiro trimestre ante o período imediatamente anterior

O IBC-Br mostra que o maior impacto das medidas de contenção da Covid-19 foi percebido em março (-6,12% sobre o mês anterior) e abril (-9,62%), meses de perdas recordes. Desde então a atividade vem indicando melhora na base mensal, com alta em maio de 1,6%.

O índice do BC também mostra que a atividade econômica tem um longo caminho a percorrer para retornar aos níveis de fevereiro, antes das paralisações para contenção ao coronavírus. Naquele mês, o IBC-Br foi de 139,80. Em abril, o índice despencou a 118,61, mas avançou em junho para 126,38, em dados dessazonalizados.

O IBGE divulgará os dados do PIB do segundo trimestre em 1º de setembro.

Na comparação com junho de 2019, o IBC-Br apresentou perda de 7,05% e, no acumulado em 12 meses, teve recuo de 2,55%.

SERVIÇOS

Conforme as medidas de isolamento foram sendo levantadas nos últimos meses, a atividade econômica brasileira apresentou sinais de retomada, embora ainda inspire cautela, principalmente quanto ao mercado de trabalho.

Os ganhos vêm na esteira de medidas de estímulo, como aumento do crédito, programa de proteção ao emprego e o auxílio emergencial de 600 reais mensais, bem como a flexibilização monetária.

"Estamos vendo uma volta rápida da atividade econômica no formato de V, mas não se sabe se vai completar o V, que seria voltar ao mesmo nível que estava antes da crise. A inclinação do V está lá, mas ainda não sabe se vai se completar ou não", disse o economista do Itaú Unibanco Luka Barbosa, antes da divulgação do IBC-Br.

Em junho, a produção industrial do Brasil cresceu 8,9% sobre maio, revelaram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo mês seguido de desempenho positivo, mas ainda não suficiente para compensar as perdas no ápice do isolamento social.

As vendas varejistas no Brasil avançaram mais do que o esperado em junho frente ao mês anterior, 8%, e retornaram ao nível pré-pandemia de coronavírus, segundo o IBGE. Entretanto, ainda assim tiveram perdas recordes no segundo trimestre.

O setor de serviços, o mais afetado pelo isolamento social, voltou a aumentar em junho depois de quatro meses de quedas diante do afrouxamento das medidas para contenção do coronavírus, com alta de 5,0% no volume. Mas ainda está distante de retornar aos níveis pré-pandemia, evidenciando a dificuldade de recuperação do setor.

Segundo a pesquisadora sênior da área de economia aplicada do Ibre/FGV, Silvia Matos, o desempenho do setor de serviços e do emprego é o que vai determinar uma recuperação efetiva da economia brasileira no pós-pandemia.

O governo estima que o PIB vai contrair 4,7% este ano, no que seria o pior resultado da série história que começou em 1900.

O mercado vem revisando para cima suas expectativas para o PIB, e agora prevê recuo da economia de 5,62% este ano e avanço de 3,50% em 2021, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central.

Diante da situação da economia, o BC cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, à nova mínima histórica de 2% ao ano. A autoridade monetária vê uma recuperação parcial da economia brasileira, destacando que o setor de serviços segue afetado negativamente pela crise com o coronavírus.