PUBLICIDADE
Topo

Conflitos entre Armênia e Azerbaidjão matam ao menos 16 e ameaçam estabilidade regional

27/09/2020 12h54

Por Nvard Hovhannisyan e Nailia Bagirova

YEREVAN/BAKU (Reuters) - Ao menos 16 militares e diversos civis morreram neste domingo em um dos mais duros confrontos entre Armênia e Azerbaidjão desde 2016, o que levantou preocupações sobre a estabilidade na região sul do Cáucaso, pode onde passam dutos que transportam petróleo e gás para os mercados mundiais.

As disputas entre as duas ex-repúblicas soviéticas, que entraram em guerra nos anos 1990, foram as mais recentes de um longo conflito sobre a região de Nagorno-Karabakh, área separatista que fica dentro do Azerbaidjão, mas é governada por armênios étnicos.

Nagorno-Karabakh disse que 16 de seus soldados foram mortos e mais de 100 ficaram feridos depois que o Azerbaidjão lançou um ataque aéreo e de artilharia na manhã deste domingo. Armênia e Nagorno-Karabakh declararam lei marcial e mobilizaram suas populações masculinas.

O Azerbaidjão, que também declarou lei marcial, disse que respondeu ao bombardeio armênio, que teria matado cinco pessoas de uma família. O país também disse que tomou o controle de até sete vilas. Nagorno-Karabakh inicialmente negou, mas depois admitiu ter perdido "algumas posições", além de ter relatado mortes de civis, sem detalhar.

Os confrontos provocaram uma onda de movimentos diplomáticos buscando evitar um novo aquecimento do conflito de décadas entre a Armênia, de maioria cristã, e o Azerbaidjão, principalmente muçulmano, com a Rússia pedindo um cessar-fogo imediato e o Papa Francisco liderando os apelos por negociações.

Dutos que transportam petróleo e gás natural do Mar Cáspio do Azerbaijão para o mundo passam perto de Nagorno-Karabakh. A Armênia também alertou sobre os riscos à segurança no sul do Cáucaso em julho, depois que o Azerbaidjão ameaçou atacar a usina nuclear da Armênia como possível retaliação.

Nagorno-Karabakh se separou do Azerbaidjão em um conflito que eclodiu com o colapso da União Soviética em 1991.

Embora um cessar-fogo tenha sido acordado em 1994, depois que milhares de pessoas foram mortas e muitas outras deslocadas, o Azerbaidjão e a Armênia freqüentemente se acusam de ataques em torno de Nagorno-Karabakh e ao longo da fronteira azeri-armênia.

Nos confrontos deste domingo, ativistas da direita armênia disseram que uma mulher e uma criança de etnia armênia foram mortas. O Azerbaidjão relatou a morte de um número não especificado de civis. Nagorno-Karabakh negou uma notícia segundo a qual 10 de seus militares foram mortos.

A Armênia disse que as forças azeris atacaram alvos civis, incluindo a capital de Nagorno-Karabakh, Stepanakert, e prometeu uma "resposta proporcional".

"Permanecemos fortes ao lado de nosso exército para proteger nossa pátria mãe da invasão azeri", escreveu o primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan no Twitter.

O Azerbaidjão negou uma declaração do Ministério da Defesa da Armênia afirmando que helicópteros e tanques azeris foram destruídos e acusou as forças armênias de lançarem ataques "deliberados e direcionados" ao longo da linha de frente.

"Defendemos nosso território, nossa causa é justa!" disse o presidente do Azerbaidjão, Ilham Aliyev, em um discurso à nação.

DIPLOMACIA INTERNACIONAL

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, cujo país atuou como mediador entre as ex-repúblicas soviéticas da Armênia e do Azerbaidjão, falou por telefone com os ministros das Relações Exteriores da Armênia, Azerbaidjão e Turquia.

A Turquia disse que a Armênia deve cessar imediatamente o que diz ser hostilidade ao Azerbaidjão, uma vez que isso "jogará a região no fogo". O presidente turco, Tayyip Erdogan, disse no Twitter que Ankara continuará a mostrar solidariedade ao Azerbaidjão.

Erdogan exortou o povo armênio a "assumir o controle de seu futuro contra sua liderança que os está arrastando para a catástrofe e aqueles que os usam como fantoches".

A França também exortou as partes a encerrarem as hostilidades e reiniciarem imediatamente o diálogo.

O Papa apelou à Armênia e ao Azerbaidjão para que resolvam suas diferenças por meio de negociações, dizendo que estava orando pela paz.

Pelo menos 200 pessoas foram mortas em um recente reaquecimento do conflito entre a Armênia e o Azerbaidjão, em abril de 2016. Mas há tensões frequentes e pelo menos 16 morreram em confrontos em julho.

(Reportagem adicional de Tuvan Gumrukcu em Ankara)