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Ibovespa encosta em 110 mil pontos com otimismo sobre vacinas

24/11/2020 18h42

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta terça-feira, encostando nos 110 mil pontos, patamar que não supera desde fevereiro, beneficiado pelo apetite a risco global, na esteira de dados promissores sobre a eficácia de vacinas contra o coronavírus e otimismo com a transição de poder nos EUA.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,24%, a 109.786,30 pontos, máxima de fechamento desde 21 de fevereiro, antes do agravamento da pandemia no Brasil e decretação de quarentenas no país para frear a doença. No melhor momento, chegou a 109.956,18 pontos.

O volume financeiro alcançou 36,9 bilhões de reais.

Além do progresso em relação às vacinas contra o Covid-19 noticiado nos últimos dias, o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, citou ainda como componente positivo para a alta nos mercados o começo da transição do governo norte-americano, afastando qualquer ruído sobre as eleições.

Também agradou, segundo ele, a possibilidade de que a ex-chair do Federal Reserve Janet Yellen comandará o Tesouro na gestão de Joe Biden, dado o seu histórico mais favorável para políticas monetárias expansionistas, "que abre espaço para um programa de estímulo ainda maior".

Nos Estados Unidos, o S&P 500 e o Dow Jones fecharam em máximas históricas. Entre as commodities, o petróleo Brent avançou 3,9%, para 47,86 dólares o barril, maiores níveis desde março.

A forte alta da Petrobras também foi destacada pelo analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, que elencou uma série de vetores para a força dos papéis, entre eles a alta do petróleo e o resgate antecipado de títulos da dívida pela companhia, que reforça percepção de segue buscando reduzir endividamento.

Participantes do mercado também têm atribuído o fôlego do Ibovespa a entrada de estrangeiros na bolsa - que no mês já registra um saldo positivo de 26 bilhões de reais - e a uma rotação nos portfólios, para ações 'cíclicas' e de 'valor', com maior peso no índice, em detrimento de papéis de 'crescimento'.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON avançaram 4,46% e 5,34%, respectivamente, ampliando a alta no mês para 38% e 41%, beneficiadas pela alta dos preços do petróleo e fluxo estrangeiro, além da rotação nos portfólios de ações. O Bank of America elevou a recomendação das ações para 'compra', com preço-alvo de 38 reais. A petrolífera também prometeu para o próximo dia 30 divulgar seu Plano Estratégico de 2021-25.

- MULTIPLAN ON subiu 7,16%, com empresas de shopping centers mostrando forte recuperação na sessão em meio ao otimismo com uma vacina contra o coronavírus, uma vez que o setor está entre os mais prejudicados pela pandemia. O Credit Suisse elevou preços-alvo e disse enxergar uma retomada mais rápida do que se esperava. BRMALLS ON valorizou-se 7,07% e IGUATEMI ON avançou 5,99%.

- USIMINAS PNA fechou em alta de 6,12%, seguida por CSN ON, que subiu 6%, e GERDAU PN, que avançou 2,59%. O Goldman Sachs atualizou projeções para as siderúrgicas, estimando volumes e preços maiores nos próximos trimestres. "Apesar da performance recente sólida das ações, nós ainda enxergamos 'upside' e um 'valuation' atrativo para siderúrgicas da América Latina", afirmaram os analistas do banco em relatório.

- BRADESCO PN e ITAÚ UNIBANCO PN subiram 4,49% e 2,8%, respectivamente, dando continuidade à recuperação no mês, em movimento que analistas têm atrelado a uma rotação nos portfólios, para ações 'cíclicas' e de 'valor', em detrimento de papéis de 'crescimento' e 'tecnologia'. BANCO DO BRASIL ON avançou 2,67% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 3,55%.

- CARREFOUR BRASIL ON caiu 0,52%, após sessão volátil. O grupo anunciou mais cedo fundo contra o racismo, entre outras medidas, depois do assassinato de um cliente em uma loja na semana passada. Na véspera, a companhia perdeu 2 bilhões de reais em valor de mercado.

- TOTVS ON fechou em baixa de 1,83%, com o setor de tecnologia ainda sofrendo com ajustes, além da fracassada tentativa de comprar a Linx, que preferiu fechar acordo com a StoneCo.