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2 meses

Príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth, morre aos 99 anos

09/04/2021 08h12

Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - O príncipe Philip, marido da rainha britânica Elizabeth e uma figura-chave na família real britânica por quase sete décadas, morreu aos 99 anos, informou o Palácio de Buckingham nesta sexta-feira.

O duque de Edimburgo, como era oficialmente conhecido, esteve ao lado da rainha ao longo de todos os 69 anos de seu reinado, o mais longo da História do Reino Unido. Durante este período ele ganhou a reputação de ter uma atitude dura, séria e de uma propensão a gafes ocasionais.

"É com profunda tristeza que Sua Majestade, a Rainha, anuncia a morte de seu amado marido, Sua Alteza Real, o Príncipe Philip, duque de Edimburgo", informou o palácio em comunicado.

"Sua Alteza Real faleceu pacificamente nesta manhã no Castelo de Windsor. Mais anúncios serão feitos oportunamente. A Família Real se junta às pessoas ao redor do mundo lamentando sua perda."

Príncipe grego, Philip se casou com Elizabeth em 1947 e desempenhou papel-chave na modernização da monarquia no período após a Segunda Guerra Mundial e, por trás dos muros do Palácio de Buckingham, como a única figura central para a qual a rainha podia se voltar e confiar.

"Ele tem sido, simplesmente, minha força e esteio todos esses anos", disse Elizabeth em uma rara homenagem pessoal a Philip feita em um discurso para marcar o 50º aniversário de casamento de ambos em 1997.

Philip passou quatro semanas hospitalizado mais cedo neste ano para tratar de uma infecção e poder ser submetido a uma operação cardíaca, mas voltou a Windsor no começo de março.

Seu charme e indisposição para tolerar aqueles que via como tolos lhe rendeu uma posição de respeito entre alguns britânicos, mas para outros seu comportamento às vezes brusco o fazia parecer grosseiro. Ele fazia a alegria de editores de jornal atentos a qualquer comentário fora do tom em eventos oficiais.

O ex-oficial naval admitiu que foi difícil desistir da carreira militar que amava e assumir o cargo de consorte da monarca, para o qual não havia uma função constitucional clara.

"Como o condutor de carruagem exímio que era, ele ajudou a guiar a família real e a monarquia de modo que continue sendo uma instituição inquestionavelmente vital para o equilíbrio e a felicidade de nossa vida nacional", disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Em particular, o príncipe era considerado o chefe inquestionável da família, mas o protocolo exigia que o homem apelidado de "o segundo aperto de mão" passasse a vida pública literalmente um passo atrás da esposa.

"Não havia precedente. Se eu perguntasse a alguém 'o que você espera que eu faça?, todos me olhavam com espanto – eles não tinham ideia, ninguém tinha muita ideia", disse ele em uma entrevista por ocasião de seu 90º aniversário.

Depois de comparecer sozinho a mais de 22 mil compromissos, Philip se retirou da vida pública em agosto de 2017, embora fosse a eventos oficiais ocasionalmente.

Seu último compromisso foi em julho, uma cerimônia militar no Castelo de Windsor, o palácio real do oeste de Londres onde ele e a rainha residiram durante os lockdowns da Covid-19.

A rainha, que tem 94 anos, foi coroada em 1952. O casal de primos de terceiro grau se casou na Abadia de Westminster em 20 de novembro de 1947.

Eles tiveram quatro filhos: Charles, príncipe de Gales (nascido em 1948), a princesa Anne, (1950), o príncipe Andrew (1960) e o príncipe Edward (1964).

O casal comemorou 72 anos de casamento no mesmo dia em que Andrew renunciou às suas funções reais devido à polêmica em torno de sua associação com Jeffrey Epstein, financista norte-americano caído em desgraça e já falecido – uma de várias crises recentes enfrentadas pela família.

A morte do marido e confidente mais próximo da rainha fará com que se questione se Elizabeth pode cogitar uma abdicação, mas comentaristas reais dizem que existe pouca ou nenhuma chance de isto acontecer.

Nos últimos anos, a rainha reduziu a quantidade de compromissos oficiais que realiza e passou muitas tarefas e patronatos reais ao príncipe Charles, seu neto William e outros membros destacados da realeza, mas ainda desempenha as tarefas de Estado mais simbólicas da monarquia, como a abertura do Parlamento.

(Por Michael Holden, William James e Andy Bruce)