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Relato de sequestro na Venezuela renova foco em violência contra mulheres

04/06/2021 15h38

Por Vivian Sequera e Mircely Guanipa

CARACAS (Reuters) - Em 2001, Linda Lopez foi sequestrada e mantida durante quase quatro meses em um apartamento de Caracas, onde foi estuprada e torturada repetidamente.

Agora ela lançou um livro sobre sua experiência e sua luta de anos para levar seu caso a julgamento em um sistema que ela diz ainda estar em falta com as mulheres venezuelanas.

A publicação do livro de Lopez, uma advogada, ressuscita o debate da violência contra mulheres e meninas na Venezuela, que ativistas dizem ser ofuscado com frequência pela crise humanitária e econômica do país.

A Venezuela não publica estatísticas sobre abusos domésticos, mas se trata de um problema generalizado na América Latina que aumentou durante a pandemia, de acordo com dados da entidade norte-americana sem fins lucrativos Comitê Internacional de Resgate em um relatório lançado em junho passado.

Em seu livro "Crime Duplo", Lopez, mais conhecida como Linda Loiza, detalha o suplício horrível de ser amordaçada e algemada, espancada com garrafas de vidro, queimada com cigarros e estuprada repetidamente entre março e julho de 2001.

Luis Carrera, filho de um acadêmico proeminente, foi preso em novembro de 2001 e condenado em 2006 por sequestrar e espancar Lopez e passou seis anos na prisão.

O tribunal determinou que ela foi violentada no cativeiro, mas absolveu Carrera das acusações de estupro alegando que não havia provas suficientes de que ele foi o agressor.

Isto foi uma falha do sistema, afirmou Linda Lopez à Reuters em uma entrevista.

Não punir o estupro "é dizer à sociedade: faça. Você tem carta branca. Você pode", disse ela.

(Por Vivian Sequera e Mircely Guanipa)