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1 mês

Portugal homenageia diplomata que salvou milhares de judeus

19/10/2021 15h36

LISBOA (Reuters) - Portugal prestou homenagem nesta terça-feira ao ex-diplomata Aristides de Sousa Mendes, que desafiou a ditadura de Salazar ao emitir vistos a dezenas de milhares de judeus e outros refugiados, salvando-os dos horrores dos campos de concentração nazistas.

Para o homenagear, foi colocada uma placa de pedra nas paredes do Panteão Nacional, em Lisboa, que abriga os túmulos de grandes personalidades, desde a conhecida fadista Amália Rodrigues ao jogador de futebol Eusébio.

Em 1940, como cônsul de Portugal na cidade francesa de Bordeaux, Sousa Mendes desafiou as ordens do ditador António Oliveira Salazar e entregou vistos a judeus e outros que fugiam dos nazistas.

Naquela época, os diplomatas portugueses tinham de pedir autorização antes de concederem os vistos aos judeus e outras categorias de requerentes, mas Sousa Mendes decidiu fazê-lo sem pedir, correndo grande risco pessoal.

"INSPIRAÇÃO"

"A perseguição não terminou com a Segunda Guerra Mundial... infelizmente a história nos mostrou que aquilo com que Aristides de Sousa Mendes foi confrontado ainda hoje é uma realidade", disse o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, após uma cerimônia.

"Ele é para nós uma inspiração para manter vivos os mesmos valores: proteger a dignidade dos seres humanos, das vidas, daqueles que procuram proteção", acrescentou Costa.

Os destinatários dos vistos puderam entrar em Portugal e a partir de lá viajar livremente para outros países, como os Estados Unidos.

Quando Salazar, que governou Portugal com punhos de ferro durante mais de três décadas, soube da desobediência de Sousa Mendes, mandou-o voltar para Lisboa e o demitiu do serviço diplomático.

"Hoje... podemos ver a importância do que ele fez pela humanidade", disse a pesquisadora Margarida Ramalho durante a cerimônia. "Ele foi capaz de se colocar no lugar de outra pessoa."

Sousa Mendes e sua família enfrentaram grandes dificuldades depois que ele foi forçado a abandonar seu emprego, tendo morrido na pobreza em 1954. Só após a sua morte é que foi reconhecido pelos seus atos que salvaram vidas.

(Por Sergio Gonçalves; Reportagem adicional de Catarina Demony)