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Bolsonaro deve optar pelo PL após convite formal do partido

Apesar da preferência inicial pelo PP, a resistência de parte do partido em ser obrigado a dar palanque a Bolsonaro em 2022, dificultou o acordo - Alan Santos/PR
Apesar da preferência inicial pelo PP, a resistência de parte do partido em ser obrigado a dar palanque a Bolsonaro em 2022, dificultou o acordo Imagem: Alan Santos/PR

Lisandra Paraguassu

26/10/2021 12h05

Depois de praticamente fechar sua adesão ao PP, o presidente Jair Bolsonaro deverá optar no final pelo PL de Valdemar Costa Neto, disseram à Reuters duas fontes que acompanham o processo.

Apesar da preferência inicial pelo partido de seu ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, a resistência de parte do PP, especialmente no Nordeste, em ser obrigado a dar palanque a Bolsonaro em 2022, dificultou o acordo.

"Estava difícil alinhar os palanques estaduais", disse uma das fontes.

Na semana passada, parte da direção do PL se reuniu em Brasília e fechou acordo para fazer um convite formal a Bolsonaro para ingressar no partido. Na segunda-feira, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, divulgou um vídeo nas redes sociais do partido reiterando o convite formal feito ao presidente.

"Estamos reiterando o convite de filiação partidária dirigido ao presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e fiéis seguidores da causa brasileira sob sua liderança", disse.

No mesmo dia, o senador Wellington Fagundes (MT) confirmou que o convite estava feito.

"O que posso dizer hoje é que já temos o convite oficial. Na sexta tivemos uma conversa avançada e hoje fizemos o convite oficial ao presidente, que já sinalizou sua filiação ao PL, para construir um grande partido. O martelo está batido, o prego está fincado, só falta virar a ponta. Virar a ponta é assinar a ficha. Está bem consolidado e vamos trabalhar para construir um grande partido", disse a jornalistas em Cuiabá.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, a filiação deve se dar em breve. Apesar de já ter dito que não ter pressa sobre sua filiação —a decisão poderia ser tomada até março de 2022—, Bolsonaro tem sido pressionado por seus aliados.

Especialmente deputados e senadores, que precisam já trabalhar em suas campanhas, querem saber qual partido devem se filiar.

Há cerca de um mês, aliados de Bolsonaro davam como certa sua filiação ao PP. Apesar da resistência de parte do partido, Ciro Nogueira —que além de ministro da Casa Civil é presidente do PP— levou adiante o convite. A avaliação era, de acordo com uma das fontes, que a filiação de Bolsonaro daria ao partido a possibilidade de fazer pelo menos 20 deputados entre Rio de Janeiro e São Paulo sem esforço, um aumento de quase 50% da bancada atual na Câmara.

No entanto, o partido tem diversos acordos estaduais, especialmente no Nordeste, com o PT, e fontes ouvidas pela Reuters explicaram que não há interesse de candidatos da região —onde o presidente tem seu pior desempenho nas pesquisas e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria hoje mais de 60% dos votos— em dar palanque a Bolsonaro.

Ao contrário, a intenção ainda é estar ao lado de Lula, maior rival do presidente. A ponto de parte dos deputados da região ameaçarem uma debandada.

Já o PL estava entre os cotados por Bolsonaro, mas as conversas foram suspensas em determinado ponto, e retomadas na semana passada, quando ficou claro para o presidente que não teria no PP os palanques que gostaria e a liberdade para apontar candidatos como havia sido prometido.

Além dos palanques, Bolsonaro quer o poder de apontar candidatos alinhados em alguns Estados, especialmente para o Senado. Estão em seu radar, por exemplo, colocar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, como candidato ao Senado por Goiás, e o ministro das Comunicações, Fábio Faria, para tentar o cargo pelo Rio Grande do Norte.

De acordo com uma das fontes ligadas ao partido, a possibilidade de filiação e candidatura do presidente pelo PL interessa a Valdemar Costa Neto pelo mesmo motivo que Ciro Nogueira o queria no PP: aumentar a bancada com deputados ligados a Bolsonaro que podem atrair um número considerável de votos, como Carla Zambelli (PSL-SP).

O partido tem hoje 43 deputados, 18 deles da região Nordeste, e também resistência à adesão de Bolsonaro, mas menor do que no PP.

Depois do fracasso da tentativa de criar sua própria sigla, o Aliança pelo Brasil, Bolsonaro está sem partido desde o final de 2019. Suas negociações já passaram pelo PSL, PP, PTB, algumas siglas menores, como o Patriota, e o próprio PL, com quem teve altos e baixos.

Bolsonaro colocava o PL entre os partidos aos quais poderia aderir há alguns meses, mas ainda não anunciou oficialmente sua decisão.