Décadas após a guerra, Coreia do Norte ainda constrói fronteiras e atrai tiros de advertência

Por Hyonhee Shin

SEOUL (Reuters) - Setenta e quatro anos depois de a Guerra da Coreia começar, tropas da Coreia do Norte ainda constroem novas fortificações e ocasionalmente recebendo tiros de advertência de seus homólogos sul-coreanos do outro lado de uma fronteira congelada em estado de guerra.

Nas últimas semanas, a Coreia do Norte enviou um grande esquadrão de soldados para construir o que parecem ser barreiras anti-tanques, plantar minas terrestres e reforçar vias táticas dentro da fortemente armada Zona Desmilitarizada (DMZ), segundo o Exército da Coreia do Sul. 

Essas medidas resultaram em raros encontros com soldados sul-coreanos, ocasiões em que eles dispararam tiros de advertência e alguns norte-coreanos até foram mortos pelas suas próprias minas terrestres enquanto se aproximavam da linha de demarcação, disseram autoridades sul-coreanas. 

A linha foi traçada quando os dois lados e seus apoiadores internacionais encerraram o conflito, em 1953. 

Esta terça-feira marca 74 anos desde o começo da guerra, quando o Exército da Coreia do Norte invadiu a fronteira do Sul, que contou com o apoio dos Estados Unidos.

Os combates acabariam envolvendo mais 20 países que fizeram parte das forças da ONU e custaram milhões de vidas, mas terminou apenas em um armistício, não em um tratado de paz, deixando as Coreias tecnicamente em um estado de guerra. 

Após pequenos períodos de alívio, as tensões cresceram nos últimos meses, com o Norte desenvolvendo um arsenal de armas nucleares e declarando que o Sul é um “inimigo primário”, não mais um parceiro para unificação. 

Mais recentemente, o Norte enviou centenas de balões carregados de lixo m protesto contra ativistas sul-coreanos que lançaram panfletos anti-Pyongyang, o que levou Seul a descartar um pacto militar inter-coreano e tomar medidas para retomar transmissões de propaganda por alto-falantes, denunciadas por Pyongyang há muito. 

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A Coreia do Norte estava enviando mais balões, aparentemente carregando lixo, para a Coreia do Sul nesta terça-feira, segundo o Exército sul-coreano. 

As ações recentes de Pyongyang na fronteira podem estar ligadas à mudança em sua política inter-coreana, dizem alguns analistas 

"As provocações simultâneas e de baixa intensidade em andamento do Norte têm o objetivo de expressar hostilidade em relação ao Sul, diante da recente mudança de política", afirmou Park Young-ja, membro sênior do Instituto da Coreia pela Unificação Nacional em Seul, em um relatório recente. 

"Ao mesmo tempo em que consolidam a unidade internamente, eles também podem tentar dividir as opiniões públicas no Sul e, para fins militares reais, explorar como essas ações podem ser uma ameaça."

Yang Moo-jin, presidente da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul, afirmou que o impasse inter-coreano se intensificou para algo similar à guerra psicológica da Guerra Fria. 

"O retorno de campanhas antiquadas com panfletos e balões mostra que a Guerra Fria ainda persiste na península da Coreia."

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Em discurso sobre o aniversário da guerra, o presidente sul-coreano, Yoon Suk-Yeol, comparou os vizinhos, dizendo que o Norte continua "o último território congelado da Terra" e segue o "caminho da regressão" ao contrário do Sul, democrático e rico. 

(Reportagem de Hyonhee Shin; reportagem adicional de Josh Smith)

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