EUA impõem sanções a grupo israelense de extrema-direita por violência na Cisjordânia

Por Simon Lewis e Humeyra Pamuk

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos impuseram sanções nesta quinta-feira a um grupo israelense de extrema-direita e a quatro postos avançados não autorizados na Cisjordânia, a mais recente medida do governo Biden voltada aos que, segundo os EUA, prejudicam a estabilidade na Cisjordânia ocupada por Israel.

Washington, que também impôs sanções a três indivíduos israelenses, pediu ao governo de Israel que tome medidas para responsabilizar os extremistas por ações que, para os EUA, prejudicam as esperanças de uma solução de dois Estados entre israelenses e palestinos.

As sanções desta quinta-feira tiveram como alvo a organização israelense sem fins lucrativos Lehava, que se opõe à assimilação judaica de não-judeus e promove agitações contra os árabes em nome da religião e da segurança nacional.

O governo Biden disse que os membros do Lehava se envolveram em repetidos atos de violência contra palestinos.

O fundador e líder do grupo, Ben-Zion Gopstein, já havia sido designado anteriormente pelos Estados Unidos, e o Reino Unido também impôs sanções ao Lehava.

Os Estados Unidos também impuseram sanções a quatro postos avançados não autorizados na Cisjordânia que, segundo o Departamento de Estado, foram "transformados em armas" de violência para deslocar palestinos, com a interrupção de pastagens, a limitação do acesso a poços de água e o lançamento de ataques violentos contra palestinos vizinhos.

Um dos postos avançados é uma fazenda "estabelecida em terras de pastagem pertencentes à comunidade palestina, e os colonos desse posto avançado atacam regularmente os pastores da comunidade e impedem seu acesso às terras de pastagem por meio de atos de violência", segundo o Departamento de Estado.

Dois outros israelenses foram punidos por serem líderes do Tsav 9, um grupo já anteriormente punido que atacou comboios de transporte de ajuda humanitária destinada a civis em Gaza, segundo o documento.

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A medida proíbe que americanos negociem com as pessoas e entidades visadas e congela todos os seus ativos norte-americano. Não ficou claro se algum dos alvos possui tais ativos.

PROFUNDAMENTE PREOCUPADOS

"Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com a violência extremista e a instabilidade na Cisjordânia, que prejudica a própria segurança de Israel", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, em comunicado.

"Incentivamos fortemente o governo de Israel a tomar medidas imediatas para responsabilizar esses indivíduos e entidades. Na ausência de tais medidas, continuaremos a impor nossas próprias medidas de responsabilização."

As ações do governo Biden contra os colonos israelenses incomodaram os membros de extrema direita da coalizão de governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que apoiam a expansão dos assentamentos judaicos e, em última instância, a anexação da Cisjordânia, que os palestinos querem como parte de um futuro Estado.

Gopstein, figura israelense mais proeminente visada pelas sanções dos EUA, é um colaborador próximo e tem vínculos com o Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que também vive em um assentamento na Cisjordânia.

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Desde a guerra do Oriente Médio de 1967, Israel ocupa a Cisjordânia do Rio Jordão, que os palestinos querem como núcleo de um Estado independente. O país construiu ali assentamentos judaicos considerados ilegais pela maioria dos países. Israel contesta isso e cita laços históricos e bíblicos com a terra.

Em fevereiro, o governo Biden disse que os assentamentos eram inconsistentes com o direito internacional, sinalizando um retorno à política de longa data dos EUA sobre a questão, revertida pelo governo anterior de Donald Trump.

(Reportagem de Humeyra Pamuk, Simon Lewis e Susan Heavey)

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