Sindicalismo enfraquecido prejudica reivindicações do 1° de maio na França

As grandes confederações sindicais francesas celebram o Dia Internacional dos Trabalhadores cada uma no seu canto, resume bem o jornal Le Monde em sua edição de 1° de ...

Em alguns setores, como é o caso na mobilização da Air France e parcialmente no movimento contra a reforma da companhia estatal ferroviária SNCF, alguns sindicatos lutam associados, sem conseguir, no entanto, produzir a união de todos os trabalhadores.

Em Paris, apenas duas entidades, CGT e Solidários, farão juntas uma passeata entre a praça da Bastilha e a praça da Itália para protestar contra as conquistas sociais ameaçadas pelas reformas do presidente Emmanuel Macron e o sistema seletivo de ingresso nas universidades.

O jornal Le Parisien destaca que as autoridades de segurança da capital temem distúrbios violentos nas ruas. Outras organizações, incluindo o movimento de lutas independente Mili, um coletivo antifascista e anticapitalista, próximo da extrema-esquerda, convocaram um protesto pelo Facebook com a intenção de fazer deste 1° de maio "um dia infernal ao presidente Emmanuel Macron e seu mundo", tomando emprestada uma convocação vista em Maio de 68.

O Mili já causou confusão na manifestação dos trabalhadores no ano passado. Uma fonte sindical afirma ao Le Parisien que esse grupo reúne estudantes e militantes de vários horizontes que depredam agências bancárias e mobiliário urbano.

Franceses votam cada vez menos nas eleições sindicais

O jornal de esquerda Libération afirma que as centrais sindicais francesas se mostram impotentes diante das reformas em cascata do governo Macron. Enquanto a CGT e o Solidários vão às ruas, os sindicatos reformistas CFDT, CFTC e Unsa propõem um 1° de maio "cultural e reivindicativo", com a projeção de um filme sobre a importância do diálogo social e da negociação coletiva.

Já a Força Operária, outra grande confederação francesa, marcará o dia com uma entrevista coletiva de seu novo secretário-geral recém-eleito, Pascal Pavageau, que parece mais combativo que seu antecessor.

A divisão sindical não é novidade na França, escreve Libération, lamentando o contexto particular: "raramente o movimento sindical foi tratado com tamanha indiferença e desprezo pelas autoridades no poder", destaca o jornal.

O sindicalismo francês está enfraquecido e sofre de uma imagem negativa perante os franceses. A participação dos trabalhadores nas eleições sindicais está em queda, um desamor que não é bom por privar os trabalhadores de uma relação de forças necessária às conquistas sociais.

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