Macron é presidente dos sonhos da direita, diz Libération

A imprensa francesa desta segunda-feira (7) se dedica a analisar o primeiro ano do governo de Emmanuel Macron.

"A direita tem finalmente seu presidente" é a manchete de capa do diário que critica as reformas liberais e a rigidez de sua administração. Segundo Libération, 67% dos franceses acreditam que o presidente, que sempre se recusou a determinar sua posição política, é conservador. Uma prova, diz Libé, são as pesquisas de opinião que mostram todas as semanas a satisfação dos eleitores de direita, ao contrário do desgosto dos eleitores de esquerda.

Em editorial, Libé lembra que há um ano parte da esquerda se viu obrigada a votar em Macron para não ceder aos extremismos de sua rival, Marine Le Pen, no segundo turno das eleições. Para o jornal, se o chefe de Estado quiser obter verdadeiros resultados, vai ter que escutar esse eleitorado que o vê como desdenhoso aos problemas dos pobres e como "o presidente dos ricos".

Oito reformas

Na onda de reformas do presidente centrista se concentra o jornal Le Monde. O diário lembra que, durante sua campanha, Macron prometeu atacar oito principais áreas: reforma do Código do Trabalho, economia, educação - passando pelas escolas primárias e o ensino superior - segurança, com atenção especial à luta contra o terrorismo - além da política imigratória e a ação social e habitação.

O jornal mobilizou sua equipe de jornalistas para estudar cada setor, as mudanças propostas e os resultados obtidos. Le Monde destaca que, após um ano de governo, 45% dos franceses consideram Macron como um bom presidente; outros 55% avaliam sua administração como negativa.

Entrevistado pelo jornal, o presidente do instituto de pesquisa Ipsos, Brice Teinturier, acredita que os números representam um "bom resultado" ao ex-banqueiro. Segundo o especialista, 73% da população acredita que Macron cumpre suas promessas de campanha.

Governo "jupiteriano"

O site do jornal Le Figaro traz um especial sobre o aniversário do primeiro ano de presidência de Macron. O diário escreve que o líder do partido A República em Marcha calculou tudo milimetricamente, antes mesmo de ser eleito, como seria seu governo. Uma administração "jupiteriana" - destaca Le Figaro, comparando o líder ao deus romano e lembrando que ele é criticado pela oposição e por parte da opinião pública de ser autoritário e de concentrar todo o poder.

O jornal diz que, apesar de ter um pouco mais de popularidade que seus antecessores, Macron que tenta a todo custo se afastar da "presidência normal" de François Hollande, mas sua filosofia de governo começa a dar sinais está chegando ao limite. Para Le Figaro, "a França rural ou periférica não se sente nem representrada nem considerada pelo ex-banqueiro".

O diário aponta que conquistar esse eleitorado é aliás o principal desafio do centrista, se ele quiser reforçar a imagem de seu partido na política francesa e lutar por um segundo mandato.

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