França: família de jovem morta após negligência de telefonista do Samu pede justiça

Os pais de Naomi Musenga, morta em um hospital de Estrasburgo, no leste da França, pedem justiça.

"A nossa primeira preocupação é que a justiça seja feita", declarou Mukole Musenga, pai de Naomi em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (10). Ele afirma ter sido enganado sobre as circunstâncias da morte da filha.

A jovem de 22 de anos morreu em 29 dezembro, mas a divulgação de uma gravação da conversa de Naomi com uma operadora do Samu levantou este mês a hipótese de negligência no atendimento. Na ligação telefônica, a paciente se queixa de dor na barriga, pede ajuda e diz que vai morrer. A atendente ironiza seu mal-estar e responde "que todo mundo vai morrer um dia", sugerindo que ela entre em contato com o SOS Médécins, serviço de consulta médicas a domicílio. Além disso, menospreza o estado de saúde da garota, conversando com uma colega ao lado.

"Essa gravação nos destrói", declarou Honorine Musenga, mãe da vítima. "Quem matou minha filha?", se questiona, lembrando que, para ela, a responsabilidade pelo drama é algo que vai além da atendente e diz respeito "a todos, inclusive o diretor do Hospital Universitário de Estrasburgo".

Na quarta-feira (9), o advogado da família já havia declarado que não queria que a telefonista se transformasse em um "bode expiatório" do caso. "Não queremos descontar tudo na atendente", declarou Mohamed Aachour, que pede a identificação de todos os responsáveis.

A operadora do Samu foi suspensa temporariamente do cargo enquanto prossegue a investigação. A ministra francesa da Saúde, Agnès Buzyn, pediu que uma auditoria seja aberta para avaliar as falhas do serviço. O Samu do Bas-Rhin, região onde fica Estrasburgo, recebe cerca de 2 mil ligações por dia.

Autópsia levou 112 horas para ser feita

Naomi foi levada para o hospital horas após o telefonema, depois da intervenção de um médico do SOS Médécins, que acionou o Samu. A jovem, mãe de uma menina de um ano e meio, morreu vítima de um infarto. Sua autópsia, realizada apenas no dia 3 de janeiro, 112 horas após sua morte, confirmou o óbito causado por uma falência múltipla dos órgãos e apontou para um "apodrecimento avançado" do corpo.

"Por que a ligação da minha filha ficou sem resposta? Por que a autopsia não foi feita a tempo? Por que deixaram o corpo da minha filha apodrecendo? ", questiona Mukole Musenga. O pai da jovem também agradeceu a mobilização da imprensa e das redes sociais. "Isso nos ajuda a saber que não estamos sozinhos", completou a mãe da vítima.

Um grupo batizado "Justiça para Naomi Musenga" foi criado no Facebook e uma passeata em homenagem à jovem será realizada na próxima quarta-feira (16) nas ruas de Estrasburgo.

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