Nomeada para chefiar a CIA supervisionava tortura de presos na Tailândia

Para muitos americanos, ela encarna a volta da tortura praticada pela CIA nas prisões secretas criadas depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Haspel assegurou na quarta-feira (9), diante de membros do Senado dos Estados Unidos, que a agência de inteligência americana não irá retomar os programas de tortura de prisioneiros sob a sua liderança. Aos 61 anos, a vice-diretora da CIA enfrentou grande oposição após sua nomeação por Trump em razão de seu trabalho em uma prisão secreta na Tailândia, em 2002, onde suspeitos de terrorismo eram torturados.

"Por ter servido neste período conturbado, posso oferecer meu compromisso pessoal, claro e sem reserva de que, sob a minha liderança na CIA, não será restabelecido tal programa de detenção e interrogatórios", declarou na audiência perante o Comitê do Senado. "Está claro que a CIA não estava preparada para conduzir um programa de detenções e interrogatórios", acrescentou.

"Interrogatório melhorado"

Oficialmente, o programa da Tailândia era definido como "interrogatório melhorado" e recebeu apoio do sistema judicial americano durante o governo de George W. Bush. Posteriormente, uma comissão do Senado chegou à conclusão de que se tratavam simplesmente de torturas sob uma questionável proteção legal.

Haspel evitou condenar o programa, aplicado entre 2002 e 2005, período no qual cidadãos estrangeiros detidos em locais secretos de todo o mundo eram submetidos a torturas nesta prisão da Tailândia, em especial, a simulações de afogamento. Mais tarde, como funcionária de alto escalão da CIA, ela foi acusada de ter destruído vídeos que mostram estas práticas.

Pressionada pelos senadores por não ter denunciado as violências no momento adequado, Haspel limitou-se a responder que seguia ordens de superiores. Além disso, justificou que o programa de torturas ajudou a obter "informações valiosas", que permitiram desarticular tentativas de atentados em território americano.

"Recebemos a instrução de assegurar que nosso país não fosse atacado novamente. Nos informaram que as técnicas no programa da CIA eram legais e que tinham sido autorizadas pela mais alta autoridade legal do país e pelo presidente", defendeu.

Questionada se retomaria o programa, caso o presidente Donald Trump solicitasse, Haspel garantiu que não. "Não permitirei que a CIA realize atividades que considero imorais, mesmo que sejam tecnicamente legais. Não permitirei isso, absolutamente", acrescentou.

Apoio de Trump, oposição de McCain

Trump dá apoio total a Haspel. "Minha indicada muito respeitada para ser diretora da CIA foi criticada porque foi dura demais com os terroristas", tuitou Trump esta semana.

Já o senador republicano John McCain pediu na quarta-feira aos seus colegas congressistas que rejeitem a nomeação de Haspel pelo papel que desempenhou no passado, nesta página sombria da luta contra o terrorismo.

"Acredito que Gina Haspel é uma patriota que ama nosso país e dedicou sua vida profissional ao serviço e à defesa dele. No entanto, seu papel em não reconhecer a imoralidade do uso da tortura é preocupante e essa atitude a desqualifica", tuitou, apesar da declaração de Haspel aos senadores.

Entre os 13 membros da comissão do Senado - sete republicanos e seis democratas -, vários demonstram ceticismo em relação à indicação de Haspel. Quatro democratas solicitaram ao diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats, que libere todos os documentos confidenciais relativos ao papel de Haspel nos programas de interrogatório da CIA.

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