Brasileiras participam de ato feminino em Cannes por mais igualdade entre gêneros

O tapete vermelho mais famoso dos festivais de cinema virou importante plataforma de protesto. No sábado (12), 82 mulheres que trabalham na indústria cinematográfica subiram as escadarias do Palácio dos Festivais para um ato silencioso, mas muito simbólico.

E por que 82 mulheres? Porque desde a criação do festival, que está em sua 71ª edição, apenas 82 filmes dirigidos por mulheres foram selecionados para a competição oficial, contra 1.645 longas dirigidos por homens. Este ano, são apenas três cineastas entre 21 concorrentes: Eva Husson (Les Filles du Soleil), Alice Rohrwacher (Lazzaro Felice) e Nadine Labaki (Capharnaum).

Cate Blanchett, presidente do júri da Palma de Ouro estava lá, assim como a diretora e artista plástica Agnès Varda. As atrizes Kristen Stewart, Léa Seydoux, Salma Hayek, Marion Cotillard, Julie Gayet e outras dezenas estavam lá. Várias brasileiras também participaram, como a diretora Beatriz Seigner, que concorre ao prêmio da Quinzena dos Realizadores, com Los Silencios, e as atrizes Mariana Ximenes e Bruna Linzmeyer, protagonisas de O Grande Circo Mágico, de Cacá Diegues.

Inclusão e igualdades

Entre as reivindicações das mulheres está a equiparação salarial entre gêneros e um ambiente seguro para mulheres, sete meses depois que estourou o escândalo envolvendo Harvey Weinstein, o produtor americano que durante décadas abusou de mulheres na indústria cinematográfica.

"Eu acho que a gente precisa falar de uma opressão histórica sobre as mulheres, sobre as pessoas pretas, sobre as minorias políticas. Principalmente neste último ano, a gente se propôs a falar e as pessoas se propuseram a ouvir. É importante que, tanto nos grandes festivais ou nas periferias, as mulheres estejam na luta, que elas estejam se posicionando e lutando", declarou à RFI Brasil Bruna Linzmeyer, que vive a contorcionista Beatriz em O Grande Circo Místico.

É muito bom ser mulher, estar aqui, como atriz que é meu oficio, celebrando este momento, esta união e força feminina, com olhares de todo o mundo. É uma questão que a gente precisa debater e refletir. Foi um protesto de inclusão e igualdade", opina Mariana Ximenes, que faz Margarete no filme de Cacá Diegues.

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