Deputados franceses vetam lei que proíbe propaganda em "junk food" para crianças

A Assembleia Nacional francesa rejeitou, neste domingo (27), o projeto de lei que proíbe a publicidade em embalagens de alimentos para crianças com alto teor de gordura, açúcares ou sal. Os parlamentares também bloquearam a obrigação para os fabricantes de incluírem uma etiqueta nutricional que ajuda o consumidor a identificar os produtos mais saudáveis.

O lobby venceu? Durante a sessão parlamentar deste domingo que examinou o projeto de lei "Agricultura e Alimentação", os deputados de vários partidos franceses tentaram limitar a publicidade em produtos industrializados para menores de 16 anos. O objetivo era diminuir a obesidade infantil, que atinge uma a cada seis crianças na França.

A reportagem, publicada no jornal Le Monde desta segunda-feira (28) traz detalhes sobre os argumentos utilizados na Assembleia para barrar a iniciativa.

Durante a sessão, a autora de uma das emendas, Anne-Laurence Petel, do partido do presidente Emmanuel Macron,"A República em Marcha", defendeu o texto alegando o custo social que a junk food representa. "Os industriais usam os códigos da infância para influenciar as crianças, transformando doces em personagens de desenho ou dando vida a ursinhos", descreveu. "Uma lavagem cerebral", classificaram outros parlamentares.

Diversos deputados discordaram dos argumentos da deputada, insistindo na responsabilidade dos pais, ou no "risco de colocar certos setores em perigo". Já o ministro da Agricultura, Stéphane Travert, afirmou que órgãos reguladores poderiam se responsabilizar pelo conteúdo das embalagens sem a necessidade de incluir "certos aspectos coercitivos na lei". O conjunto de emendas acabou sendo rejeitado por 49 votos contra 13.

Etiqueta que guia consumidor também é descartada

A obrigatoriedade dos fabricantes franceses de adotar o selo Nutri-Score, que identifica os alimentos mais saudáveis, também foi descartada, como pediam os representantes dos canais de TV franceses, preocupados com a perda de anunciantes.

Em sua conta no Twitter, o professor de nutrição Serge Hecberg, criador do selo, lembra que o veto da Assembleia é contrário a todas as recomendações de saúde pública. Vários estudos mostram como a publicidade influencia crianças e adolescentes. Para muitos analistas, lembra o Le Monde, o lobby venceu, em detrimento da saúde pública.

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