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"Iletronismo", ou analfabetismo digital, atinge um quarto dos franceses

26/06/2018 11h12

A resenha da imprensa francesa desta terça-feira (26), destaca o “iletronismo”, ou analfabetismo digital. O fenômeno designa pessoas que não sabem lidar ou não têm acesso a internet, e atinge um quarto da população do país.

O fenômeno do “iletronismo” é um novo tipo de exclusão moderna. A pesquisa realizada pelo Conselho Superior do Audiovisual (CSA) indica que 23% dos franceses não dominam as novas tecnologias, detalha o jornal francês Libération. Esses entrevistados declaram nunca ter navegado na internet, ou se o fizeram, tiveram muita dificuldade.

O problema afeta todas as classes sociais, mas a taxa sobe para 58% entre os maiores de 70 anos. Na maioria dos casos, as pessoas têm computador, tablet ou smartphone, mas temem explorar a rede e utilizar os serviços públicos propostos pelo governo online, ressalta o jornal. Segundo o estudo do CSA, 89% da população têm acesso a internet.

Usuários perdem direitos

Le Figaro faz um panorama da situação desses franceses que “estão de mal" com a web. Devido à falta de prática, um grande número de usuários não termina o que começou na internet, como declarar os impostos, por exemplo. A situação lembra o filme de Ken Loach, “Eu, Daniel Blake”, Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2016.

Segundo o jornal conservador, várias iniciativas se multiplicam para ajudar essas pessoas, principalmente no norte do país. Le Figaro ressalta o alerta da ONG Emaus connect. A associação, especializada no acesso à tecnologia digital, prevê muito caos em 2019. Com a obrigação de que toda a população passe a declarar o imposto de renda online, prefeituras, centros sociais e ONGs vão ficar superlotadas e incapazes de atender o grande número de pedidos de ajuda, antecipa.

Para prevenir o risco, a ONG está formando voluntários que poderão ajudar os analfabetos digitais a preencher a declaração online, com garantia de privacidade. Mas, antes mesmo de 2019, o "iletronismo" já penaliza os franceses que, diante das dificuldades, renunciam a pedir um seguro desemprego ou outras ajudas sociais, afirma o jornal.

Ajuda do vizinho não é ideal

A solução de contar com a ajuda de um vizinho, que conhece as senhas e os dados pessoais do usuário, não é a ideal, aponta Simon Maréchal, diretor da Emaus Connect, que insiste na necessidade urgente de se formar voluntários. Em Lille, no norte da França, uma experiência piloto, com centros sociais conectados, está sendo testada. Nesses locais, os internautas iniciantes serão orientados.

Ateliês também estão sendo montados para ajudar as pessoas que já navegam, mas têm dificuldade em acompanhar a rápida evolução tecnológica. "Desânimo", "amor próprio ferido" são alguns dos sentimentos descritos pelas pessoas que procuram ajuda tecnológica, escreve a reportagem. Uma outra data que preocupa associações e usuários franceses é 2022, quando todos os serviços públicos do país passarão a ser exclusivamente online.