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Zimbábue vai às urnas em pleito histórico um ano após derrubar regime autoritário de Mugabe

30/07/2018 11h33

Os eleitores do Zimbábue vão às urnas nesta segunda-feira (30), para escolher presidente, parlamentares e prefeitos. É o primeiro pleito depois de 37 anos de autoritarismo sob Robert Mugabe, hoje com 94 anos, retirado do poder através de um rocambolesco golpe de estado militar no ano passado.

Mugabe foi substituído interinamente pelo ex-aliado Emmerson Mnangagwa, que é candidato ao próprio posto. Ministro da Segurança do Estado nos anos 1980, o nome de Mnangagwa está associado à terrível repressão que os militares realizaram em 1983 nas províncias dissidentes de Matabeleland (no oeste), provocando cerca de 20 mil mortos. O atual sempre negou participação nos massacres e tenta se distancia de seu passado.

Com a aura de quem derrubou Mugabe, Mnangagwa se comprometeu a restabelecer a democracia e ressuscitar a economia exangue do Zimbábue. Ele prometeu que as eleições serão livres, honestas e transparentes, ao contrário dos pleitos durante o regime de Mugabe, frequentemente acompanhados de violência e acusações de fraude.

Platina, ouro, diamante

País potencialmente rico, o Zimbábue possui importantes reservas de cromo, platina, ouro e diamantes. Ao mesmo tempo, o país precisa de investimentos estrangeiros e dos conhecimentos de grandes grupos mineiros internacionais para explorar essas reservas.

Mnangagwa, que é líder das pesquisas, sabe que acabar com a corrupção que gangrenou a economia e estabelecer o Estado de direito são condições imprescindíveis para ter a confiança dos investidores internacionais. É o preço a pagar para que, como o próprio chefe de Estado gosta de repetir, “nosso futuro seja que o nosso passado”.

Observadores bem-vindos

Para justamente romper com as práticas do passado, o governo de Mnangagwa autorizou observadores da ONU, da União Europeia e da Commonwealth a observar as eleições de acordo com os moldes internacionais. Mais de 600 observadores internacionais e 5.541 locais esquadrinham o país em busca de qualquer irregularidade.

Para Victor Magnani, pesquisador do Centro África Subsaariana do Instituto francês de relações internacionais, “a sensação no país é de que o Zimbábue está às vésperas de uma nova era”. Ele acrescenta que a esperança “é a de uma possível mudança no país”.