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Europa tem recorde de casos de sarampo

24/08/2018 18h22

A Organização Mundial da Saúde faz um alerta para que os países do bloco europeu tomem medidas a fim de conter os elevados números da doença.

Durante o primeiro semestre, pelo menos 37 pessoas morreram por causa da doença, que é altamente contagiosa. "O sarampo é uma doença infecciosa viral transmitida por contato direto de pessoa a pessoa por via respiratória", explica Jean-Louis Koeck, médico infectologista francês.

A França é o terceiro país mais atingido da Europa em número de doentes e está entre aqueles que já registraram mais de 1 mil infecções entre crianças e adultos em 2018.

O sarampo pode ser evitado com vacinação, mas a desconfiança com relação aos efeitos da vacina, além de falta de informação explicam, em parte, o elevado número de casos e de mortes. "Quando não há imunização, um caso de sarampo pode passar para outras quinze ou vinte pessoas", alerta o médico. "Se a pessoa não é vacinada, ela não está imune, mas muitas simplesmente não sabem que precisam ser vacinadas, especialmente entre os jovens adultos", completa.

Convencer é melhor que obrigar

Para evitar epidemias, o ideal é que a cobertura chegue a 95% da população, com duas doses de vacina. "É um problema de conscientização. Cada pessoa tem que ficar atenta à sua caderneta de vacinação", ensina Koeck. Além disso, os países precisam fazer esforços para identificar crianças, adolescentes e adultos que não foram imunizados.

Entretanto, alguns países são menos eficazes nesse desafio, como por exemplo a Romênia e a Ucrânia, que têm coberturas abaixo do indicado na Europa. Apenas na Ucrânia os registros chegaram a 23 mil, mais da metade do total de casos identificados no continente. O país com mais mortes por sarampo até o momento é a Sérvia, com 14 vítimas fatais.

Inversamente, nos países onde a cobertura vacinal é boa, como a Alemanha, os casos são esporádicos, cerca de uma dezena ao ano.

Em 2015, a OMS lançou um plano de ação europeu para erradicar o sarampo até o fim da década, objetivo que não deverá ser alcançado. "Em dois anos eu não creio. Será preciso tomar medidas importantes, como restaurar a confiança na vacinação", afirma Jean-Louis Koeck.

Para o médico francês, as campanhas atuais não têm impacto. "É preciso encontrar um meio mais original de convencer a população, de se comunicar com o cidadão diretamente", aconselha. "O mais indicado é o convencimento no lugar de obrigação, mas há situações delicadas em que pode ser necessário obrigar as pessoas a se protegerem, ainda que temporariamente", conclui.

Os sintomas mais comuns do sarampo são: febre alta, dores musculares e manchas vermelhas na pele.