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Jornal francês diz que Amazônia está com enfisema

29/08/2018 09h28

No dia seguinte da demissão bombástica do ministro francês da Ecologia, Nicolas Hulot, que fragiliza o presidente Emmanuel Macron, os jornais desta quarta-feira (29) aproveitam ...

Le Figaro escreve que os 15 meses de Nicolas Hulot no governo francês foram sofridos. Apesar de alguns avanços, o mais popular ministro de Macron não conseguiu impor sua política. Ele fez mais concessões do que registrou vitórias, e renunciou denunciando a influência de lobbies no setor que prejudicam o meio ambiente.

O governo foi realmente pego de surpresa pela renúncia do ecologista, anunciada ao vivo durante uma entrevista no rádio, e ainda não decidiu quem irá substituir Hulot no ministério da Transição Ecológica. Libération ressalta que como martelou o agora ex-ministro, o combate ao aquecimento global é urgente. Os compromissos firmados até o momento de redução de emissão de CO2 pelos países signatários do acordo do clima de Paris são insuficientes e conduziriam a um aumento de 3°C da temperatura global, muito acima da meta prevista de no máximo 2°C até 2100.

Resultado imediato, 2018 foi o segundo verão mais quente registrado na história da França, só perdendo para 2003, alerta Le Parisien. As altas temperaturas podem provocar inclusive o desaparecimento, em cinco anos, das ostras no país, indica o diário. Catástrofes naturais e a destruição da natureza irão se ampliar.

Desmatamento pode destruir um terço da Amazônia

Les Echos destaca, em um grande artigo ilustrado por um mapa didático, a situação da região amazônica, que segundo o jornal está doente. O artigo diz que é impossível negar a importância da bacia do Amazonas, o maior rio do mundo. Mas as preocupações crescentes sobre as mudanças climáticas intensificaram o conflito entre a utilização comercial dos recursos naturais e a necessidade de proteger a floresta.

Além das 150 usinas que já foram construídas na região para produzir energia elétrica, mais 300 barragens estão previstas pelo governo. Alguns projetos já em construção estão bloqueados porque, ao destruir a floresta, acabam com o habitat natural de várias espécies, mas também reduzem as terras dos povos indígenas, informa o texto.

O desmatamento, iniciado nos anos 60 para a exploração da madeira e a ampliação das fronteiras agrícolas, diminuiu, mas continua ameaçandoo planeta. Atualmente, 20% da floresta amazônica já foi destruída. Estimativas apontam que, até 2030, o desmatamento atinja um terço da região, modificando as taxas de precipitação e enfraquecendo ainda mais as defesas da Amazônia. Em 2005 e em 2010, a região já enfrentou períodos de seca recordes que provocaram grande mortalidade de arvóres, salienta Les Echos.